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Seção 6 - Distúrbios do Cérebro e dos Nervos

Capítulo 72 - Distúrbios do Olfato e do Paladar

Como os distúrbios do olfato e do paladar raramente constituem uma ameaça à vida, eles podem não receber a atenção médica devida. Entretanto, esses distúrbios podem chegar a ser frustrantes uma vez que afetam a capacidade do indivíduo de desfrutar de comidas, bebidas e aromas agradáveis. Além disso, eles interferem na capacidade do indivíduo de perceber a presença de substâncias químicas e gases potencialmente perigosos, o que pode acarretar graves conseqüências. De qualquer maneira, um distúrbio que compromete o olfato e o paladar pode ser grave. O olfato e o paladar estão intimamente relacionadas. As papilas gustativas da língua identificam o sabor e os nervos do nariz identificam o odor.

As duas sensações são comunicadas ao cérebro, que combina as informações para identificar e apreciar os sabores. Embora alguns sabores (p.ex., salgado, amargo, doce e ácido) possam ser identificados sem o olfato, os sabores mais complexos (p.ex., de framboesa) exigem tanto o paladar quanto o olfato. A perda ou a redução do olfato (anosmia) é o distúrbio mais comum do olfato e do paladar. Como a diferenciação entre dois sabores depende em grande parte do olfato, os indivíduos freqüentemente percebem a redução do olfato quando os alimentos parecem não ter sabor. O olfato pode ser afetada por alterações do nariz, dos nervos que conectam o nariz ao cérebro ou do cérebro. Por exemplo, se as fossas nasais forem obstruídas por causa de um resfriado comum, o olfato pode ser diminuída simplesmente porque os odores não conseguem chegar aos receptores do olfato.

Como o olfato afeta o paladar, os indivíduos resfriados freqüentemen-te acham que os alimentos não possuem o mesmo sabor. As células que detectam o odor podem ser lesadas temporariamente pelo vírus da gripe. Alguns indivíduos não conseguem sentir cheiros ou sabores durante vários dias ou mesmo semanas após um episódio de gripe. Ocasionalmente, a perda do olfato ou do paladar persiste durante meses ou pode inclusive tornar-se permanente. As células que detectam os odores podem ser lesadas ou destruídas por infecções sérias dos seios da face ou pela radioterapia no tratamento do câncer. Contudo, a causa mais comum de perda permanente do olfato é o traumatismo crânio-encefálico, produzido freqüentemente por um acidente automobilístico. As fibras do nervo olfatório (o nervo que contém os receptores do olfato) são seccionadas ao nível da lâmina cribriforme (osso da base do crânio que separa o espaço intracraniano da cavidade nasal). Raramente, uma criança nasce sem o sentido do olfato.

A hipersensibilidade aos odores (hiperosmia) é muito menos comum que a anosmia. O sentido distorcido do olfato, o qual torna os odores inócuos desagradáveis (disosmia) pode ser conseqüência de infecções dos seios da face ou de uma lesão parcial do nervo olfatório. A disosmia também pode ser causada por uma higiene dental inadequada, a qual pode acarretar infecções bucais que produzem um mau odor que é detectado pelo nariz. Algumas vezes, indivíduos com depressão apresentam disosmia. Alguns indivíduos que sofrem de epilepsia originária da parte do cérebro onde os odores são detectados (o centro olfatório) apresentam sensações de odores desagradáveis (alucinações olfatórias) que são muito fortes e de curta duração. Esses odores desagradáveis fazem parte da epilepsia e não uma má interpretação de um odor.

A redução ou a perda do paladar (ageusia) é normalmente causada por condições que afetam a língua. São exemplos a boca muito seca, o tabagismo intenso (especialmente fumar cachimbo), a radioterapia da cabeça e do pescoço e os efeitos colaterais de drogas como a vincristina (um medicamento anticâncer) ou a amitriptilina (um antidepressivo). A distorção do paladar (disgeusia) pode ser conseqüência dos mesmos fatores que acarretam a perda do paladar. As queimaduras da língua podem destruir temporariamente as papilas gustativas, e a paralisia de Bell (uma paralisia unilateral do rosto causada pela disfunção do nervo facial) pode ocasionar a perda do paladar em um lado da língua. A disgeusia também pode ser um sintoma de depressão.

Diagnóstico

Os médicos podem testar o olfato utilizando óleos aromáticos, sabonetes e alimentos (p.ex., café ou alho). O paladar pode ser testada com o uso de substâncias doces (açúcar), ácidas (suco de limão), salgadas (sal) e amargas (aspirina, quinina, aloé). O médico ou o dentista realiza um exame da cavidade bucal em busca de infecção ou ressecamento (salivação escassa). A realização de uma tomografia computadorizada (TC) ou de uma ressonância magnética (RM) do cérebro raramente é necessária.

Tratamento

Dependendo da causa do distúrbio do paladar, o médico recomendará a troca ou a suspensão do medicamento suspeito, o consumo de balas para manter a boca úmida ou simplesmente a espera de várias semanas para observar se o problema desaparece. Foi afirmado que os complementos de zinco, os quais podem ser comprados sem prescrição médica, aceleram a recuperação, especialmente dos distúrbios do paladar que ocorrem após um episódio de gripe. No entanto, esse efeito não foi cientificamente confirmado.

Como as Pessoas Sentem os Sabores

Os sentidos do paladar e do olfato trabalham em conjunto para que seja possível reconhecer e apreciar os sabores. O centro do olfato e do paladar no cérebro combina as informações sensitivas provenientes da língua e do nariz. Milhares de papilas gustativas cobrem a maior parte da superfície da língua. Quando o alimento é colocado na boca, ele estimula os receptores das papilas gustativas. Estas, por sua vez, enviam impulsos nervosos ao centro do olfato e do paladar do cérebro, o qual os interpreta como sabor. As papilas gustativas da ponta da língua detectam os sabores doces; as laterais, os sabores salgados e ácidos; e as da parte posterior da língua, os sabores amargos. As combinações desses quatro sabores básicos produzem um amplo espectro de sabores. Uma pequena área da membrana mucosa nasal (o epitélio olfatório) contém terminações nervosas que detectam odores (nervos olfatórios). Quando as moléculas transportadas pelo ar entram nas vias nasais, elas estimulam diminutas projeções similares a pêlos (cílios) dessas células nervosas. Esse estímulo envia impulsos nervosos, através das projeções existentes na extremidade dos nervos (bulbos olfatórios), ao longo do nervo olfatório, até o centro do olfato e do paladar do cérebro. O centro interpreta esses impulsos nervosos como um odor distinto. Através desse processo, milhares de odores diferentes podem ser diferenciados. Para diferenciar a maioria dos sabores, o cérebro necessita do paladar e do olfato. Por exemplo, para diferenciar o sabor de uma barra de chocolate, o cérebro detecta um sabor doce captado pelas papilas gustativas e um aroma encorpado de chocolate através do nariz.