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Seção 8 - Distúrbios da Boca e dos Dentes

Capítulo 98 - Câncer e Outros Tumores da Boca

Anualmente, os cânceres da cavidade bucal afetam 30.000 norte-americanos e são responsáveis por 8.000 óbitos, afetando sobretudo indivíduos com mais de 40 anos de idade. Essas cifras representam cerca de 2,5% de todos os casos de câncer e 1,5% de todas as mortes relacionadas ao câncer (uma taxa elevada, levando- se em conta o pequeno tamanho da boca em relação ao resto do corpo). Juntamente com os cânceres do pulmão e da pele, os cânceres da boca são mais preveníveis que a maioria dos outros cânceres. Os tumores não cancerosos (benignos) e cancerosos (malignos) podem originar-se em qualquer tipo de tecido do interior e situados em torno da boca (p.ex., ossos, músculos e nervos).

Os cânceres que se originam no revestimento da boca ou em tecidos superficiais são denominados carcinomas; os que têm origem nos tecidos mais profundos são denominados sarcomas. Raramente, os cânceres observados na região bucal são conseqüência da disseminação de um câncer de outras partes do organismo, mais comumente dos pulmões, das mamas e da próstata. O exame de detecção do câncer bucal deve ser parte integrante tanto do exame médico quanto do odontológico, pois a detecção precoce é fundamental. Os cânceres com menos de 1 centímetro de diâmetro geralmente podem ser facilmente curados. Infelizmente, a maioria dos cânceres orais só é diagnosticada após já ter ocorrido a disseminação para os linfonodos da região mandibular e do pescoço. Devido à detecção tardia, 25% dos cânceres bucais são fatais.

Fatores de Risco

O risco de câncer bucal é maior para os indivíduos tabagistas e alcoolistas. A combinação do álcool e do tabaco apresenta uma maior probabilidade de causar câncer que qualquer uma das duas substâncias usadas isoladamente. Cerca de dois terços dos cânceres orais ocorrem em homens, mas a incidência crescente do tabagismo entre mulheres ao longo das últimas décadas vem eliminando gradualmente essa diferença entre os sexos. O cigarro é uma das causas mais prováveis de câncer bucal, mais que o hábito de fumar charuto ou cachimbo. Uma área castanha, plana, semelhante a uma sarda (mancha do fumante) pode aparecer no local onde habitualmente o tabagista mantém o cigarro ou o cachimbo nos lábios. Apenas uma biópsia (coleta de uma amostra de tecido e exame microscópico da mesma) pode determinar se a mancha é cancerosa. A irritação repetida de bordas pontiagudas de dentes quebrados, de restaurações ou de próteses dentárias (p.ex., coroas e pontes) pode aumentar o risco de câncer bucal. Os indivíduos com antecedente de câncer bucal apresentam um maior risco de desenvolver um outro câncer.

Sintomas e Diagnóstico

Os cânceres bucais ocorrem mais comumente nos lados da língua, no assoalho da boca e na parte posterior do teto da boca (palato mole). Os cânceres da língua e do assoalho da boca geralmente são carcinomas epidermóides. O sarcoma de Kaposi é um câncer dos vasos sangüíneos localizados próximos à pele. Ele ocorre comumente na boca (geralmente, no palato) de indivíduos com AIDS. Naqueles que possuem o hábito de mascar tabaco ou de cheirar rapé, as partes internas das bochechas e dos lábios são localizações comuns de câncer. Esses cânceres freqüentemente são carcinomas verrucosos de crescimento lento. O melanoma, um câncer de pele usual, ocorre menos comumente na boca. Uma área da boca que se tornou recentemente castanha ou que tenha sofrido uma alteração da cor (para o castanho ou outra cor escura) pode ser um melanoma e deve ser examinada por um médico ou dentista. Um melanoma deve ser diferenciado de áreas pigmentadas normais da boca, as quais ocorrem em algumas famílias e são particularmente comuns entre os indivíduos de pele escura e do Mediterrâneo.

Língua

No estágio inicial, o câncer de língua é sempre indolor e é quase sempre detectado durante um exame odontológico de rotina. Ele comumente aparece nos lados da língua e quase nunca na parte superior da língua, exceto em indivíduos com antecedente de muitos anos de sífilis não tratada. Os carcinomas epidermóides (de células escamosas) da língua freqüentemente manifestam-se como feridas abertas e tendem a crescer em direção às estruturas subjacentes. Uma área vermelha na boca (eritroplasia) é um lesão precursora do câncer (pré-cancerosa). Qualquer indivíduo com uma área vermelha em um dos lados da língua deve consultar um médico ou um dentista.

Assoalho da Boca

No estágio inicial, o câncer do assoalho da boca é sempre indolor e é geralmente detectado durante um exame odontológico de rotina. Como o câncer de língua, o câncer do assoalho da boca é habitualmente um carcinoma epidermóide que se manifesta como feridas abertas e tende a crescer em direção às estruturas subjacentes. Qualquer indivíduo com uma área vermelha (eritroplasia) no assoalho da boca deve consultar um médico ou um dentista, pois esta pode indicar a presença de um câncer.

Palato Mole

O câncer do palato mole pode ser um carcinoma epidermóide ou um câncer originado nas pequenas glândulas salivares localizadas no palato mole. O carcinoma epidermóide freqüentemente assemelha-se a uma úlcera. O câncer originado nas pequenas glândulas salivares comumente aparecem como um pequeno aumento de volume.

Revestimento da Boca

Quando o revestimento interno e úmido da boca (mucosa oral) é irritado durante um longo periodo, pode ocorrer o desenvolvimento de uma mancha branca e plana que não é eliminada pela fricção (leucoplasia). A mancha apresenta uma cor branca, pois trata-se de uma camada espessada de queratina (o mesmo material que reveste a parte mais externa da pele e que, normalmente, é menos abundante no revestimento da boca). Ao contrário de outras áreas brancas que surgem na boca (geralmente devidas ao acúmulo de alimentos, bactérias ou fungos), a leucoplasia não pode ser removida. A maioria das leucoplasias é decorrente da resposta protetora normal da boca contra outras lesões. No entanto, no processo de formação desse revestimento protetor, algumas células podem tornar-se cancerosas. Por outro lado, uma área vermelha na boca (eritroplasia) é decorrente de um adelgaçamento do revestimento da boca.

A área assume uma coloração vermelha porque os capilares subjacentes tornam-se mais visíveis. Em comparação com a leucoplasia, a eritroplasia é uma lesão que precede o câncer muito mais alarmante. Um indivíduo com qualquer área vermelha na boca deve consultar um médico ou dentista. Uma úlcera é uma ferida que se forma no revestimento da boca quando a camada celular superior deteriora e o tecido subjacente torna-se visível. A úlcera apresenta um aspecto esbranquiçado por causa das células mortas que se encontram em seu interior. Freqüentemente, as úlceras bucais são decorrentes de uma lesão ou da irritação dos tecidos (p.ex., quando a parte interna da bochecha é acidentalmente mordida ou lesada). Outras causas são as aftas e as substâncias irritantes (p.ex., aspirina), quando mantidas junto às gengivas. As úlceras não cancerosas sempre são dolorosas. Uma úlcera indolor e que persiste por mais de dez dias pode ser pré-cancerosa ou cancerosa e deve ser examinada por um médico ou um dentista.

Gengivas

Uma tumefação visível ou uma área elevada na gengiva não é uma causa de alarme. Se essa tumefação não for causada por um abcesso periodontal ou por um abcesso dentário, ela pode ser uma proliferação não cancerosa causada pela irritação. Os tumores não cancerosos são relativamente comuns e, quando necessário, ele podem ser facilmente removidos cirurgicamente. Devido à permanência do fator irritante, 10 a 40 por cento dos indivíduos apresentam recidiva de tumores não cancerosos. Se a causa da irritação for uma prótese inadequada, esta deve ser ajustada ou substituída.

Lábios

Os lábios (mais comumente o lábio inferior) estão sujeitos ao dano causado pelos raios solares (queilose actínica), o qual faz com que eles apresentem fissuras e alterações da cor (vermelho, branco ou um misto de vermelho e branco). O médico ou o dentista pode realizar uma biópsia para determinar se essas manchas irregulares nos lábios são cancerosas. O câncer no lado externo do lábio é mais comum nos climas quentes. Os cânceres do lábio e de outras partes da boca freqüentemente são duros ao tato e encontram aderidos ao tecido subjacente, enquanto que a maioria dos nódulos não cancerosos nessas áreas movem-se com facilidade. As anormalidades no lábio superior são menos comuns que no lábio inferior, mas apresentam maior propensão a transformar-se em câncer e exigem atenção médica. Um indivíduo que tem o hábito de mascar fumo ou de usar rapé pode apresentar proeminências brancas e com cristas na face interna dos lábios. Essas proeminênicas podem transformar- se em um carcinoma verrucoso.

Glândulas Salivares

Os tumores das glândulas salivares podem ser cancerosos ou não cancerosos. Eles podem ocorrer em qualquer um dos três pares de glândulas salivares principais: a glândula parótida (na parte lateral da face, em frente à orelha); a submandibular (sob a parte lateral da mandíbula) ou a sublingual (no assoalho da boca, em frente à língua). Os tumores também podem ocorrer nas glândulas salivares menores, as quais estão dispersas por todo o revestimento da boca. O crescimento inicial de tumores de glândulas salivares pode ou não ser doloroso. Os tumores cancerosos tendem a crescer rapidamente e são duros ao tato.

Mandíbula

Muitos tipos de cistos não cancerosos causam dor e aumento de volume da mandíbula. Freqüentemente, esses cistos formam-se próximos a um dente de siso incluso e, apesar de não serem cancerosos, podem destruir áreas consideráveis da mandíbula no seu processo de expansão. Certos tipos de cistos apresentam maior probabilidade de recorrência. Os odontomas são tumores não cancerosos de células formadoras de dentes que se assemelham a pequenos dentes extras, de forma irregular. Como eles podem ocupar o lugar de dentes normais ou podem interferir no seu crescimento, eles freqüentemente têm de ser removidos cirurgicamente.

O câncer de mandíbula freqüentemente causa dor e uma sensação estranha ou de dormência, algo semelhante à sensação da diminuição do efeito de um anestésico bucal. As radiografias nem sempre conseguem diferenciar os cânceres dos cistos mandibulares, dos tumores ósseos não cancerosos ou dos cânceres que se disseminaram de outras partes do corpo. No entanto, elas geralmente mostram as bordas irregulares do câncer de mandíbula e podem revelar a destruição das raízes dos dentes próximos pelo câncer. Em geral, é necessária a realização de uma biópsia (coleta de uma amostra de tecido e exame microscópico da mesma) para a confirmação do diagnóstico do câncer de mandíbula.

Prevenção e Tratamento

Evitar a exposição do sol reduz o risco de câncer labial. Evitar o consumo excessivo de álcool e de tabaco também pode prevenir a maioria dos cânceres orais. A eliminação das bordas irregulares de dentes quebrados ou de restaurações é uma outra medida preventiva. Algumas evidências indicam que as vitaminas antioxidantes (p.ex., vitaminas C e E e o betacaroteno) podem prover uma maior proteção, mas ainda são necessários mais estudos sobre o assunto. Se a lesão solar afetar uma grande área do lábio, a realização de uma raspagem do lábio, onde toda a superfície externa é removida (por cirurgia ou por laser), poderá impedir a sua evolucão para o câncer.

O êxito do tratamento dos cânceres bucais e labiais depende em grande parte do grau de evolução do quadro. Os cânceres bucais raramente disseminam-se para regiões distantes no corpo, mas eles tendem a invadir a cabeça e o pescoço. Se todo o câncer e o tecido normal circunjacente forem removidos antes do câncer dissseminarse aos linfonodos, a probabilidade de cura é alta. Entretanto, se ele já tiver disseminado aos linfonodos, a probabilidade de cura será muito menor. Durante a cirurgia, além do câncer na boca, são removidos os linfonodos situados sob e atrás da mandíbula e ao longo do pescoço. A cirurgia de cânceres bucais pode ser desfigurante e psicologicamente traumática.

O indíviduo com câncer da boca ou de garganta deve ser submetido à radioterapia e à cirurgia ou apenas à radioterapia. Freqüentemente, a radioterapia destrói as glândulas salivares e o paciente apresenta boca seca, o que pode causar cáries e outros problemas dentais. Como os maxilares expostos à radiação não cicatrizam bem, os problemas dentais devem ser tratados antes da administração da radiação. Qualquer dente que possa causar problemas é extraído e é dado um tempo para a cicatrização. A boa higiene dental é importante para os indivíduos que foram submetidos à radioterapia por causa de um câncer bucal. Essa higiene inclui exames regulares e cuidados domiciliares meticulosos, incluindo aplicações diárias de flúor. Se o indivíduo sofrer uma extração dentária, a oxigenioterapia hiperbárica pode auxiliar a mandíbula a cicatrizar melhor. O benefício da quimioterapia é limitado para o câncer da boca. As bases do tratamento são cirurgia e radioterapia.