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Seção 15 - Câncer

Capítulo 164 - Diagnóstico de Câncer

A avaliação de um câncer começa com a história e o exame físico. Em conjunto, esses procedimentos ajudam o médico a avaliar o risco de câncer apresentado por um indivíduo e a decidir quais são os exames necessários. Geralmente, como parte de um exame físico de rotina, deve ser realizada uma investigação dos cânceres de tireóide, de testículos, de boca, de ovários, de pele e de linfonodos.

Os exames de detecção precoce tentam identificar o câncer antes de ele produzir sintomas. Quando um exame de detecção precoce é positivo, serão necessários outros exames para a confirmação do diagnóstico. O diagnóstico de câncer deve sempre ser estabelecido com absoluta certeza e, para isto, é geralmente necessária a realização de uma biópsia. Também é essencial se determinar o tipo específico de câncer. Quando um câncer é detectado, os exames para determinar o seu estágio ajudam a determinar a sua localização exata e se ele disseminou (produziu metástases). O estadiamento também ajuda os médicos a planejarem o tratamento adequado e a determinar o prognóstico.

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Detecção Precoce do Câncer

Os exames de detecção precoce do câncer servem para detectar a possibilidade da presença de um câncer. Eles podem contribuir para a redução do número de mortes pela doença. Quando o câncer é detectado nos estágios iniciais, ele geralmente pode ser tratado antes de disseminarse. Geralmente, os exames de deteção precoce não são definitivos. Os resultados são confirmados ou refutados com exames e testes adicionais.

Embora os exames de detecção precoce possam ajudar a salvar vidas, eles também podem ser caros e, algumas vezes, acarretar repercussões psicológicas ou físicas. Geralmente, produzem uma quantidade relativamente alta de resultados falso-positivos – resultados que sugerem a presença de um câncer, quando, na realidade, ele não existe. Os exames de detecção precoce também podem produzir resultados falso-negativos – resultados que não revelam qualquer indício de um câncer que, na realidade, está presente. Resultados falso-positivos podem criar um estresse psicológico indevido e podem levar à realização de outros exames caros e arriscados. Resultados falso-negativos podem criar nos indivíduos uma
falsa sensação de segurança. Por essas razões, o médico deve refletir cuidadosamente em relação à realização ou não desses exames.

Dois dos exames de detecção precoce mais amplamente utilizados em mulheres são o exame de Papanicolaou (para detectar o câncer de colo uterino) e a mamografia (para detectar o câncer de mama). Esses dois exames de detecção precoce têm fornecido resultados satisfatórios em termos de redução das taxas de mortalidade devida a esses tipos de câncer.

A determinação da concentração sérica do antígeno prostático específico (PSA) é um examede detecção precoce comum para os homens. A concentração sérica do antígeno prostático específico está elevada nos homens que apresentam câncer de próstata. No entanto, ela também está elevada em homens que apresentam um tumor prostático benigno. Ainda não foi definido se o antígeno prostático específico deve ou não ser utilizado na detecção precoce do câncer de próstata. As desvantagens do seu uso como um exame de detecção precoce incluem o seu alto custo e a incidência de resultados falso-positivos.

Outro exame de detecção precoce comum é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. O sangue
oculto não pode ser observado a olho nu. A amostra de fezes deve ser examinada, e a detecção de sangue oculto é um indício de que há algo de errado no cólon. O problema pode ser um câncer, embora muitos outros distúrbios também possam causar a perda de pequenas
quantidades de sangue nas fezes.

Alguns exames de detecção precoce podem ser realizados em casa. Por exemplo, para as mulheres, o auto-exame mensal das mamas é sumamente valioso para ajudar a detectar o câncer de mama. O exame periódico dos testículos pode ajudar os homens a detectar o câncer de testículo, uma das formas de câncer mais curáveis quando diagnosticada precocemente. O exame periódico da boca em busca de lesões pode ajudar a detectar o câncer de boca em sua fase inicial.

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Diagnóstico do Câncer

Como existem muitos tipos diferentes de câncer e como os seus tratamentos variam, o diagnóstico de um câncer e a determinação do tipo específico são absolutamente essenciais. Isto requer, praticamente sempre, a obtenção de uma amostra do tumor suspeito para exame microscópico. Pode ser necessária a realização de vários exames especiais da amostra para se caracterizar o câncer de um modo mais acurado. O conhecimento do tipo de câncer ajuda o médico a determinar quais exames devem ser solicitados, pois cada câncer tende a seguir um padrão próprio de crescimento e de disseminação.

Em até 7% dos pacientes com câncer, os exames identificam metástases antes mesmo da identificação do câncer original. Algumas vezes, o câncer original pode não ser descoberto. Entretanto, os médicos geralmente conseguem identificar o tipo do tumor primário realizando uma biopsia da metástase e examinando o tecido ao microscópio. Apesar disso, nem sempre a identificação é fácil ou segura

Recomendações para a Detecção Precoce do Câncer

Procedimento
Frequência
Câncer de pulmão
Radiografia do tórax Citologia do escarro
Não recomendado como rotina
Câncer de Reto e cólon
Pesquisa de sangue oculto nas fezes
Anualmente após os 50 anos
Exame Retal
Anualmente após os 40 anos
Sigmoidoscopia
A cada três a cinco anos após os 50 anos
Câncer de próstata
Exame retal e dosagem do antígeno prostático específico no sangue
Anualmente após os 50 anos
Cânceres de colo uterino, de útero e de ovário
Exame da pelve
A cada um a três anos entre os 18 e 40 anos e, em seguida, anualmente
Procedimento
Frequência
Câncer de Colo Uterino
Exame de Papanicolau
Anualmente entre os 18 e 65 anos. Após três ou mais exames normais consecutivos, o exame pode ser realizado menos freqüentemente, de acordo com a orientação do médico. A maioria das mulheres com mais de 65 anos necessita realizar o Papanicolau menos freqüentemente
Câncer de Mama
Auto Exame das Mamas
Mensalmente após 18 anos
Exame físico das mamas
A cada três anos entre os 18 e 40 anos e, em seguida, anualmente
Mamografia
Exame de referência inicial entre os 35 e 40 anos; a cada um a dois anos entre os 40 e 49 anos; e anualmente após os 50 anos

O diagnóstico da biópsia determina a extensão da investigação do tumor primário. Geralmente, o médico procurará identificar o tumor primário quando o seu tratamento pode influir de modo sigificativo na sobrevida (p.ex., câncer de mama). Quando a identificação do tumor primário não altera o esquema terapêutico ou a sobrevida projetada, a investigação extensa não tem sentido.

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Estadiamento do Câncer

Quando um câncer é detectado, os exames de estadiamento ajudam o médico a planejar o tratamento adequado e a determinar o prognóstico. Vários exames são utilizados para se determinar determinar a localização do tumor, o seu tamanho, a sua disseminação para estruturas próximas e para outras partes do corpo. O estadiamento é fundamental para se determinar a possibilidade de cura. Os indivíduos com câncer algumas vezes tornam-se ansiosos e impacientes durante os exames de estadiamento, desejando o início imediato do ataque ao tumor. No entanto, o estadiamento permite ao médico estabelecer um esquema de ataque inteligente e planejado.

O estadiamento pode utilizar cintilografias (p.ex., cintilografia hepática ou óssea), estudos contrastados, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) para determinar se houve disseminação do câncer. A mediastinoscopia, na qual a região central do
tórax (o mediastino) é visualizada com o auxílio de um instrumento de fibra óptica, é utilizada para se determinar se um câncer (comumente, um câncer de pulmão) disseminou para os linfonodos vizinhos. Uma biópsia de medula óssea, na qual é realizada a coleta de tecido do interior de um osso para exame microscópico, pode ajudar a determinar se o câncer disseminou para a medula óssea.

Exames para Determinar o Estágio do Câncer

Local do Câncer
Tipo de Biopsia Realizada
Outros Exames Realizados
Mama
Biópsia por agulha ou de todo o tumor Mamograma
Cintilografia hepática e óssea
TC de cérebro
Pesquisa de receptores de estrogênio e de progesterona na amostra de biópsia
Trato gastrointestinal
Tecido para biópsia coletado através da endoscopia ou com uma agulha (habitualmente orientada por TC) através da pele para o fígado, pâncreas ou outros órgãos Radiografia do tórax
Estudo radiográfico contrastado com bário
Ultra-sonografia
TC
Cintilografia hepática
Dosagem da concentração de enzimas hepáticas no sangue
Pulmão
Biópsia do pulmão e, possivelmente, da pleura (membrana que envolve o pulmão) Radiografia do tórax
TC
Citologia do escarro
Sistema
linfático
Biópsia de linfonodo
Biópsia de medula óssea
Radiografia do tórax
Hemograma completo
Ultra-sonografia
TC
Cintilografia com radioisótopos
Cirurgia exploradora
Esplenectomia
Próstata
Biopsia com agulha Exames de sangue para fosfatase ácida e antígeno prostático específico (PSA)
Testículos
Testículo removido para biópsia Radiografia do tórax
TC
Útero, colo uterino, ovários
Tecido para biópsia coletado durante uma cirurgia exploradora Exame da pelve sob anestesia
Ultra-sonografia
TC
Enema baritado

Algumas vezes, a cirurgia pode ser necessária para se determinar o estágio do câncer. Por exemplo, uma laparotomia (uma operação abdominal) permite ao cirurgião remover ou tratar o câncer de cólon e, ao mesmo tempo, determinar se o câncer disseminou para os linfonodos vizinhos, e, a partir daí, para o fígado. Um exame dos linfonodos axilares removidos durante uma mastectomia ajuda na determinação da extensão da disseminação do câncer de mama e da necessidade de um tratamento pós-cirúrgico. A esplenectomia (remoção do baço) é útil no estadiamento da doença de Hodgkin. A ultra-sonografia é um procedimento não invasivo e indolor que utiliza ondas sonoras para mostrar a estrutura dos órgãos internos. Ela ajuda a identificar e a determinar o tamanho de certos cânceres, sobretudo dos rins, do fígado, da pelve e da próstata. Os médicos também usam a ultra-sonografia como guia para a coleta de amostras de tecido durante uma biopsia com agulha.

A tomografia computadorizada (TC) é utilizada para detectar o câncer de cérebro, de pulmões e de órgãos abdominais, inclusive de glândulas adrenais, de linfonodos, de fígado e de baço. A
linfangiografia é um exame no qual um contraste é injetado nos pés e é acompanhado por radiografias à medida que ele flui para cima. O exame ajuda a identificar anormalidades dos linfonodos abdominais. Embora seja realizada mais raramente a partir do advento da tomografia computadorizada (TC), a linfangiografia permanece sendo útil no estadiamento da doença de Hodgkin e do câncer de testículo.

A ressonância magnética (RM) é uma alternativa à TC. Na RM, um campo magnético muito potente gera imagens anatômicas altamente detalhadas. A RM é particularmente importante na detecção de cânceres de cérebro, de ossos e de medula espinhal. A RM não utiliza raios X e é extremamente segura.

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