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Seção 22 - Problemas de Saúde da Mulher

Capítulo 234 - Problemas Ginecológicos Comuns

Problemas ginecológicos são aqueles relacionados ao sistema reprodutivo feminino. Alguns problemas comuns são causados por doenças como infecções, lesões ou alterações hormonais. Esses problemas geralmente incluem a dor pélvica, a inflamação do útero, das tubas uterinas, da vagina ou da vulva e os tumores não cancerosos do útero (p.ex., fibromas). Outros problemas comuns estão relacionados à menstruação (p.ex., síndrome pré-menstrual e dismenorréia [dor durante a menstruação]). Apesar de alguns problemas serem leves e sofrerem resolução espontânea, outros (p.ex., infecções) podem ser graves e exigem atenção médica.

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Dor Pélvica

A pelve, a qual contém o útero, as tubas uterinas, os ovários, a vagina, a bexiga e o reto, é a parte mais inferior do tronco, localizada abaixo do abdômen e entre os ossos do quadril. As mulheres freqüentemente senter dor nessa área. O tipo e a intensidade da dor variam e a sua causa pode ser de difícil identificação.

A dor pélvica é freqüente, mas nem sempre causada por problemas relacionados ao sistema reprodutivo. Outras causas de dor pélvica estão relacionadas aos intestinos ou ao trato urinário. Fatores psicológicos podem piorar a dor ou mesmo causar uma sensação de dor onde não existe qualquer problema físico.

Diagnóstico

Quando uma mulher apresenta subitamente uma dor muito intensa na parte inferior do abdômen ou na área pélvica, o médico deve definir rapidamente se trata-se de uma emergência que exige cirurgia imediata. São exemplos de emergência a apendicite, a perfuração intestinal, a torção de cisto de ovário, a gravidez ectópica e a ruptura da tuba uterina. O médico freqüentemente consegue determinar a causa da dor baseando-se apenas na sua descrição, isto é, se ela é intensa ou surda, sob quais circunstâncias e quão subitamente ela iniciou, a sua duração e a sua localização.

Outros sintomas (p.ex., febre, náusea ou vômito) podem ajudar o médico a estabelecer um diagnóstico. Informações sobre a relação da dor com a ingestão de alimentos, o sono, a relação sexual, os movimentos, a micção e a defecação também podem ser úteis. Um exame físico é realizado. O exame pélvico (interno) sempre deve fazer parte da investigação da dor pélvica.

Ele ajuda o médico a determinar quais são os órgãos afetados e se existe uma infecção presente. Os exames laboratoriais (p.ex., hemograma completo, urinálise ou um teste de gravidez) podem indicar a presença de uma hemorragia interna, de uma infecção ou de uma gravidez ectópica.

A ultra-sonografia, a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM) dos órgãos internos podem ser necessárias. Algumas vezes, o médico realiza uma cirurgia ou uma laparoscopia (procedimento no qual é utilizado um tubo de fibra óptica para examinar as cavidades abdominal e pélvica), para determinar a causa da dor.

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Vaginite

A vaginite é uma inflamação do revestimento da vagina. A vulvite é uma inflamação da vulva (os órgãos genitais externos da mulher). A vulvovaginite é uma inflamação da vulva e da vagina. Nessas doenças, os tecidos inflamam e, algumas vezes, acarretam a produção de uma secreção vaginal. As causas incluem infecções, substâncias irritantes ou objetos, tumores ou outra formação anormal, radioterapia, medicamentos e alterações hormonais.

A má higiene pessoal pode contribuir para o crescimento de bactérias e fungos, assim como causar irritação. As fezes podem penetrar na área através de uma fístula (passagem anormal) do intestino à vagina, acarretando uma vaginite. Durante os anos reprodutivos da mulher, as alterações hormonais podem produzir uma secreção normal aquosa, mucosa ou branco leitosa, que varia de quantidade e de tipo de acordo com as diferentes fases do ciclo menstrual.

Após a menopausa, ocorre um afilamento do revestimento vaginal e dos tecidos vulvares e a secreção normal pode diminuir devido à falta de estrogênio. Conseqüentemente, a vagina e a vulva são mais facilmente infectadas e lesadas. As recém-nascidas podem apresentar uma secreção vaginal causada pelo estrogênio absorvido da mãe antes do nascimento. Esta secreção geralmente desaparece em 2 semanas.

Causas da Dor Pélvica

Relacionadas ao sistema reprodutivo
• Gravidez ectópica
• Endometriose
• Fibromas
• Cistos de ovário grandes ou sua ruptura
• Mittelschmerz (dor que ocorre no meio do ciclo menstrual causada pela ovulação)
• Congestão pélvica (congestão vascular)
• Doença inflamatória pélvica
• Ruptura da tuba uterina
• Torção do ovário

Não relacionadas ao sistema reprodutivo
• Apendicite
• Cistite (inflamação da bexiga)
• Diverticulite (inflamação ou infecção de um ou mais divertículos, os quais são pequenas bolsas anormais que se formam no intestino grosso)
• Gastroenterite (inflamação do estômago e do intestino)
• Ileíte (inflamação de parte do intestino delgado)
• Doença inflamatória intestinal
• Linfadenite mesentérica (inflamação dos linfonodos localizados na membrana que conecta os órgãos à parede abdominal)
• Cólica renal (dor no flanco, habitualmente causada por uma obstrução do trato urinário)


Sintomas

O sintoma mais comum da vaginite é uma secreção vaginal anormal. A secreção é considerada anormal quando ocorre em grande quantidade, é fétida ou é acompanhada por prurido, lesão ou dor vaginal. Freqüentemente, uma secreção anormal é mais espessa que a normal e apresenta uma cor diferente. Por exemplo, ela pode ter uma consistência caseosa (semelhante à do queijo) ou pode ser amarela, esverdeada ou manchada de sangue. Uma infecção bacteriana vaginal tende a produzir uma secreção opaca, branca, cinza ou amarelada, fétida ou com cheiro de peixe.

O odor pode tornar-se mais intenso após uma relação sexual ou após a lavagem com sabonete. Ambas as situações reduzem a acidez vaginal, a qual favorece a proliferação bacteriana. A vulva pode tornar-se irritada e causar um prurido discreto. Uma infecção causada por Candida (um fungo) causa prurido e queimação moderados a intensos na vulva e na vagina. Uma secreção vaginal espessa e caseosa tende a aderir às paredes vaginais. Os sintomas podem piorar durante a semana que antecede a menstruação.

Esta infecção tende a recorrer em mulheres com diabetes não controlado e naquelas que estão fazendo uso de antibióticos. Uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis acarreta uma secreção de coloração branca, verde acinzentada ou amarelada que pode ser espumosa. A secreção geralmente ocorre logo após a menstruação e pode ter um odor desagradável. O prurido é intenso. Uma secreção aquosa, sobretudo quando ela contém sangue, pode ser causada por um câncer de vagina, de colo do útero ou de endométrio (revestimento uterino).

Os pólipos de colo do útero podem causar sangramento vaginal após a relação sexual. Quando a mulher apresenta prurido vulvar ou um desconforto vulvar durante algum tempo, as causas podem incluir uma infecção pelo papilomavírus humano ou um carcinoma in situ, um câncer em fase muito inicial que ainda não invadiu outras áreas e que geralmente pode ser facilmente removido pelo cirurgião.

Uma lesão vulvar dolorosa pode ser causada por uma infecção herpética ou por um abcesso. Uma lesão indolor pode ser causada por um câncer ou pela sífilis. Os piolhos pubianos (pediculose pubiana, chatos) podem causar prurido vulvar.

Diagnóstico

As características da secreção podem sugerir a sua causa ao médico, mas informações adicionais são necessárias para o estabelecimento do diagnóstico como, por exemplo, quando a secreção ocorre em relação ao ciclo menstrual, se ela é esporádica ou contínua, qual foi a resposta aos tratamentos anteriores e se a mulher apresenta prurido, queimação ou dor vulvar ou uma lesão vaginal.

O médico pode formular questões relacionadas ao controle da natalidade, à dor após a relação sexual, às infecções vaginais anteriores, às doenças sexualmente transmissíveis e ao uso de detergentes de lavanderia que podem causar irritação. Também pode ser questionado se o parceiro sexual apresenta sintomas ou se algum membro apresenta prurido na região inguinal. Ao examinar a vagina, o médico utiliza um swab para coletar uma amostra da secreção, a qual será examinada ao microscópio e/ou submetida à cultura para se identificar o microrganismo infectante.

O colo do útero é examinado e o médico coleta uma amostra de tecido para realizar o exame de Papanicolaou, o qual pode detectar o câncer de colo do útero. O médico também realiza um exame bimanual, inserindo os dedos indicador e médio de uma mão protegida por uma luva no interior da vagina e, com a outra mão, realiza uma delicada compressão externa, sobre a região abdominal inferior, para palpar os órgãos reprodutivos entre as mãos. Quando uma mulher apresenta uma vulvite crônica (inflamação vulvar de longa duração) não responsiva ao tratamento, o médico geralmente realiza uma biópsia (coleta de uma amostra de tecido para exame microscópico) para verificar a presença de células cancerosas.

Tratamento

Para uma secreção normal, as lavagens regulares com água podem reduzir a quantidade. No entanto, uma secreção causada por uma vaginite exige um tratamento específico de acordo com a sua causa. Quando a causa é uma infecção, o tratamento consiste na administração de um antibiótico, um antifúngico ou um antiviral, de acordo com o microrganismo responsável pela infecção. Até a infecção ser curada, a lavagem da área com água e vinagre pode ser utilizada durante um breve período para controlar os sintomas.

Contudo as lavagens freqüentes e as lavagens com medicamentos são desaconselhadas porque elas aumentam o risco de doença inflamatória pélvica. Quando os lábios (pregas cutâneas localizadas em torno dos orifícios vaginal e uretral) estão grudados devido a infecções anteriores, a aplicação de um creme vaginal contendo estrogênio durante 7 a 10 dias geralmente os abre. Além de um antibiótico, o tratamento de uma infecção bacteriana pode incluir um gel de ácido propiônico para tornar a secreção vaginal mais ácida, inibindo a proliferação bacteriana.

Para as infecções transmitidas sexualmente, ambos os parceiros sexuais são tratados concomitantemente para evitar a reinfecção. A vaginite atrófica (afilamento do revestimento vaginal que ocorre após a menopausa) é tratada com a terapia de reposição hormonal com estrogênio. O estrogênio pode ser administrado pela via oral, sob a forma de um adesivo cutâneo ou sob a forma de creme, o qual é aplicado diretamente na vulva e na vagina. Os medicamentos utilizados para tratar a vulvite dependem da sua causa e são os mesmos utilizados para tratar a vaginite.

As mediresposta das adicionais incluem o uso de roupas folgadas e absorventes que permitem a circulação do ar (p.ex., roupas íntimas de algodão ou forradas de algodão) e a manutenção da vulva limpa. Um sabonete de glicerina deve ser utilizado porque muitos outros sabonetes podem irritar a área. Ocasionalmente, a aplicação de uma bolsa de gelo sobre a vulva, o banho de assento com água fria ou a aplicação de compressas frias podem reduzir a dor e o prurido.

Os cremes ou pomadas de corticosteróides (como os que contêm hidrocortisona) e os anti-histamínicos orais também podem reduzir o prurido que não é causado por uma infecção. O aciclovir, creme ou comprimido, pode aliviar os sintomas e diminuir a duração de uma infecção herpética. Os analgésicos orais podem ajudar a aliviar a dor. Quando a causa da vulvite crônica é a má higiene pessoal, o primeiro passo consiste no fornecimento de instruções sobre a higiene adequada da área.

Uma infecção bacteriana da área é tratada com antibióticos. As doenças de pele (p.ex., psoríase) podem ser tratadas com cremes de corticosteróides. As substâncias que podem causar irritação persistente (p.ex., cremes, pós e preservativos de algumas marcas) não devem ser utilizados.

Causas de Secreção Vaginal Anormal

Infecção
• Bactérias (p.ex., clamídias e gonococos)
• Fungos (p.ex., Candida , sobretudo em mulheres diabéticas, grávidas ou que estejam fazendo uso de antibióticos)
• Protozoários (p.ex., Trichomonas vaginalis)
• Vírus (p.ex., papilomavírus humano e o herpesvírus)

Irritação
• Espermicidas, lubrificantes, preservativos, diafragmas, tampões cervicais e esponjas
• Detergentes de lavanderia e amaciantes de tecidos
• Desodorantes em spray ou bastão
• Aditivos para o banho
• Duchas vaginais freqüentes
• Objetos estranhos na vagina
• Roupas íntimas apertadas, não porosas e não absorventes
• Fezes

Tumores ou outro tecido anormal
• Câncer de vulva, de vagina, de colo do útero ou de endométrio (revestimento uterino)

Radioterapia


Tratamentos Comuns para as Infecções Vaginais e Vulvares
Tipo de Infecção
Tratamento
Por Candida (um fungo)
Miconazol, clotrimazol, butoconazol ou terconazol (creme, óvulos vaginais ou supositórios); fluconazol ou cetoconazol (orais)
Bacterianac
Geralmente, metronidazol ou clindamicina (creme vaginal) ou metronidazol (oral), Quando a infecção é causada por gonococo, normalmente é administrada a ceftriaxona (intramuscular) juntamente com a doxiciclina (oral)
Por Chlamydia
Doxiciclina ou azitromicina
Por Trichomonas
Metronidazol (oral)
Viral: Papilomavírus humano (verrugas genitais) Herpesvírus
Ácido tricloroacético (diretamente sobre as verrugas); nitrogênio líquido ou fluorouracila (diretamente sobre as verrugas) para as infecções graves Aciclovir (oral ou pomada)

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Doença Inflamatória Pélvica

A doença inflamatória pélvica (salpingite) é uma inflamação das tubas uterinas, geralmente causada por uma infecção. As tubas uterinas estendem-se como braços desde a parte superior do útero em direção a cada ovário. A inflamação das tubas uterinas ocorre muito mais freqüentemente em mulheres sexualmente ativas. As mulheres que fazem uso de dispositivos intra-uterinos (DIUs) apresentam um risco especial.

A inflamação é geralmente causada por uma infecção bacteriana, a qual freqüentemente entra através da vagina e move-se até o interior do útero e das tubas uterinas. Essas infecções raramente ocorrem antes da menarca (primeira menstruação), após a menopausa ou durante a gravidez. Elas são mais comumente adquiridas durante a relação sexual. Menos comumente, as bactérias movem-se para o interior das tubas uterinas durante um parto vaginal ou um aborto (espontâneo ou provocado).

As causas menos comuns da inflamação incluem a actinomicose (uma infecção bacteriana), a esquistossomose (uma infecção parasitária) e a tuberculose. Procedimentos médicos (p.ex., injeção de um contraste durante determinados exames radiográficos) podem indicar uma infecção. Embora os sintomas possam ser piores em um dos lados, geralmente ambas as tubas são infectadas. A infecção pode disseminar-se até o interior da cavidade abdominal, causando uma peritonite. Os ovários geralmente resistem à infecção, exceto quando ela é grave.

Sintomas

Os sintomas geralmente manifestam-se logo após a menstruação. A dor localizada na região abdominal inferior torna-se cada vez mais intensa e pode ser acompanhada por náusea ou vômito. Particularmente no início, muitas mulheres apresentam apenas uma febre baixa, uma dor abdominal leve a moderada, um sangramento irregular e uma secreção vaginal escassa, tornando difícil o estabelecimento do diagnóstico.

Posteriormente, uma febre alta e uma secreção vaginal semelhante ao pus são características, embora a infecção causada por clamídias possa não produzir secreção. Geralmente, a infecção obstrui as tubas uterinas. Uma tuba obstruída pode aumentar de volume devido à retenção de líquido. Como conseqüência, podem ocorrer dor crônica, sangramento menstrual irregular e infertilidade. A infecção pode disseminar-se aos tecidos circunjacentes, acarretando a formação de cicatrizes e aderências (fixações fibrosas anormais) entre os órgãos abdominais, causando dor crônica.

Pode ocorrer a formação de abcessos (acúmulos de pus) nas tubas uterinas, nos ovários ou na pelve. Quando os antibióticos não curam os abcessos, a drenagem cirúrgica pode ser necessária. Quando um abcesso rompe e espalha pus no interior da cavidade pélvica, a dor abdominal baixa torna-se muito intensa e é acompanhada por náusea, vômito e choque (queda acentuada da pressão arterial). Este tipo de infecção pode disseminar-se até a corrente sangüínea, uma condição denominada sépsis, e pode ser fatal. Um abcesso perfurado requer uma cirurgia de emergência.

Diagnóstico e Tratamento

Os sintomas sugerem o diagnóstico. A mulher sente uma dor considerável quando o médico exerce pressão sobre o colo do útero ou sobre as áreas circunjacentes durante o exame pélvico ou quando ele palpa o abdômen. A contagem de leucócitos do sangue quase sempre encontra-se elevada. Geralmente, são coletadas amostras do colo do útero e, algumas vezes, do reto e da garganta.

A seguir, essas amostras são submetidas à cultura e examinadas ao microscópio para se identificar o microrganismo responsável pela infecção. O médico pode realizar uma culdocentese (procedimento no qual uma agulha é inserida no interior da cavidade pélvica através da parede vaginal) para a coleta de uma amostra de pus. O médico também pode examinar o interior da cavidade abdominal com o auxílio de um laparoscópio (tubo de visualização de fibra óptica).

Geralmente, são administrados antibióicos assim que as amostras forem coletadas para a realização de cultura. Comumente, o tratamento é domiciliar, mas, quando a infecção não melhora em 48 horas, a paciente é geralmente hospitalizada. hospitalizada. No hospital, é realizada a administração intravenosa de 2 ou mais antibióticos para eliminar a infecção o mais rápido possível. Quanto mais prolongada e grave for a inflamação, maior o risco de infertilidade e de outras complicações.

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Fibromas

Um fibroma é um tumor não canceroso constituído por tecido muscular e tecido fibroso localizado na parede do útero. Os fibromas ocorrem em pelo menos 20% de todas as mulheres com mais de 35 anos de idade, sendo mais comuns entre as brancas que entre as negras. O tamanho dos fibromas varia de uma dimensão microscópica ao tamanho de um melão. A sua causa é desconhecida, mas os fibromas aparentemente são afetados pela concentração de estrogênio, pois quase sempre aumentam durante a gravidez e atrofiam após a menopausa.

Sintomas

Mesmo quando são grandes, os fibromas podem ser assintomáticos. Os sintomas dependem da quantidade de fibromas, de seu tamanho e da sua localização no útero, assim como de seu estado (isto é, se estão crescendo ou degenerando). Os sintomas podem incluir o sangramento menstrual intenso ou prolongado ou, menos freqüentemente, o sangramento entre as menstruações, a dor, a pressão ou o peso na área pélvica durante ou entre as menstruações, a necessidade de urinar mais freqüentemente, a distensão abdominal e, raramente, a infertilidade causada pela obstrução das tubas uterinas ou por distorção da cavidade uterina.

O sangramento menstrual pode ser intenso porque os fibromas aumentam a área superficial do endométrio (revestimento uterino) e a quantidade de tecido eliminado durante a menstruação. O sangramento intenso pode causar anemia. Em alguns casos, um fibroma previamente assintomático causa problemas durante a gravidez como, por exemplo, aborto espontâneo, trabalho de parto precoce ou hemorragia pós-parto (perda excessiva de sangue após o parto).

Diagnóstico e Tratamento

O médico geralmente consegue estabelecer o diagnóstico durante um exame pélvico. O diagnóstico pode ser confirmado por uma ultrasonografia. Uma biópsia de endométrio (coleta de uma amostra do revestimento uterino para exame microscópico), uma histeroscopia (exame do interior do útero com o auxílio de um tubo de visualização de fibra óptica) e um exame de Papanicolaou podem ser realizados para se assegurar que os sintomas não são causados por um outro distúrbio (p.ex., câncer de útero).

A maioria dos fibróides não necessita de tratamento, mas uma mulher que os apresenta deve ser reexaminada a cada 6 a 12 meses. A miomectomia (remoção cirúrgica de um fibroma) pode ser necessária quando o fibroma aumenta de tamanho ou produz sintomas intoleráveis. Para diminuir o tamanho do fibroma antes da cirurgia, podem ser prescritos hormônios. Geralmente, a cirurgia é evitada durante a gravidez porque ele pode acarretar um aborto espontâneo e uma perda sangüínea importante.

A histerectomia (remoção cirúrgica de todo o útero) pode ser necessária quando o sangramento menstrual é muito intenso, a paciente apresenta sintomas como pressão ou dor intensa, o fibroma cresce rapidamente ou um fibroma grande sofre torção ou é infectado.

Distúrbios Menstruais

Problema
Termo Médico
Vários sintomas físicos e psicológicos ocorrem antes do começo da menstruação
Síndrome da tensão pré-menstrual (TPM)
A menstruação é dolorosa
Dismenorréia
Ausência de menstruação
Amenorréia
A menstruação nunca ocorreu
Amenorréia primária
A menstruação não ocorre
Amenorréia secundária
A menstruação é demasiadamente longa e intensa
Menorragia
A menstruação é incomumente leve
Hipomenorréia
A menstruação é demasiadamente freqüente
Polimenorréia
A menstruação é pouco freqüente
Oligomenorréia
Ocorre sangramento entre as menstruações ou sem relação a elas
Metrorragia
O sangramento é intenso e totalmente irregular no que diz respeito à frequência e à duração
Menometrorragia
O sangramento ocorre após a menopausa
Hemorragia pósmenopáusica

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Distúrbios Menstruais

A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM) e a dismenorréia (dor durante a menstruação) são distúrbios comuns. Interações hormonais complexas controlam o início da menstruação durante a puberdade, os ritmos e a duração dos ciclos durante os anos reprodutivos e a cessação da menstruação na menopausa. O controle hormonal da menstruação começa no hipotálamo (a parte do cérebro que coordena e controla a atividade hormonal) e na hipófise, localizada na base do cérebro, e, em última instância, é determinado pelos ovários. Os hormônios produzidos por outras glândulas (p.ex., adrenais) também podem afetar a menstruação.

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Síndrome da Tensão Pré-Menstrual

A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM, distúrbio disfórico pré-menstrual, distúrbio disfórico da fase lútea tardia) é um distúrbio no qual vários sintomas, incluindo o nervosismo, a irritabilidade, a instabilidade emocional, a depressão, a cefaléia, o edema dos tecidos e a sensibilidade das mamas, podem ocorrer durante os 7 a 14 dias que precedem o início da menstruação.

A síndrome da tensão pré-menstrual pode estar relacionada às flutuações das concentrações de estrogênio e progesterona que ocorrem durante o ciclo menstrual. O estrogênio provoca a retenção líquida, o que pode explicar o ganho de peso, o edema (inchaço) dos tecidos, a sensibilidade das mamas e a distensão. Outras alterações hormonais e metabólicas também podem estar envolvidas.

Sintomas

O tipo e a intensidade dos sintomas variam de uma mulher a outra e de um mês a outro na mesma mulher. A ampla gama de sintomas físicos e psicológicos pode comprometer temporariamente a vida da mulher. As mulheres com epilepsia podem apresentar crises convulsivas mais freqüentes que o normal. As mulheres com uma doença do tecido conjuntivo (p.ex., lúpus eritematoso sistêmico ou artrite reumatóide) podem apresentar exacerbações do quadro nesse período.

Geralmente, os sintomas ocorrem uma ou duas semanas antes da menstruação, duram de algumas horas até aproximadamente 14 dias e cessam quando o novo ciclo começa. As mulheres próximas da menopausa costumam apresentar sintomas que persistem durante e após a menstruação. Mensalmente, os sintomas da síndrome pré-menstrual são freqüentemente seguidos por um período de dor.

Tratamento

A utilização de uma combinação de contraceptivos orais, os quais contêm estrogênio e progestina, ajuda a reduzir as oscilações das concentrações de estrogênio e progesterona. A retenção líquida e a distensão são freqüentemente aliviadas através da redução do consumo de sal e do uso de um diurético leve (p.ex., espironolactona), imediatamente antes do momento em que se espera que os sintomas comecem.

Outras alterações dietéticas (p.ex., diminuição do consumo de açúcar, de cafeína e de álcool, consumo de uma maior quantidade de carboidratos e refeições mais freqüentes) podem ser úteis. Os suplementos dietéticos que contêm cálcio e magnésio podem ser benéficos. O uso de suplementos de vitamina B, especialmente de B6 (piridoxina), pode reduzir alguns sintomas, embora os benefícios da vitamina B6 tenham sido questionados recentemente e uma dose muito elevada possa ser prejudicial (lesões nervosas ocorreram com o consumo de doses baixas, mesmo de 200 miligramas por dia).

Os antiinflamatórios não esteróides (AINEs) podem ajudar a aliviar a cefaléia, as cólicas uterinas e as dores articulares. O nervosismo e a agitação são podem ser aliviados pelo exercício e pela redução do estresse (utilizando exercícios de meditação ou de relaxamento). A fluoxetina pode reduzir a depressão e outros sintomas.

A buspirona ou o alprazolam, utilizados durante um breve período, diminuem a irritabilidade e o nervosismo e ajudam a reduzir o estresse. Contudo, a dependência à droga é um risco do tratamento com o alprazolam. O médico pode solicitar à mulher que ela anote seus sintomas em um diário para auxiliá-lo a julgar a eficácia do tratamento.

Sintomas da Síndrome da Tensão Pré-menstrual (TPM)

Alterações Físicas
• Dor nas costas
• Flatulência
• Dor e inchaço das mamas
• Alterações do apetite
• Constipação
• Tontura
• Desmaios
• Cefaléias
• Peso ou pressão na área pélvica
• Fogachos
• Insônia
• Falta de energia
• Náusea e vômito
• Fadiga intensa
• Problemas de pele (p.ex. acne e dermatite com prurido localizado)
• Edema de tecido ou dores articulares
• Ganho de peso

Alterações do Estado de Espírito
• Agitação
• Raiva
• Depressão
• Irritabilidade
• Alterações do humor
• Nervosismo

Alterações Mentais
• Confusão mental
• Dificuldade de concentração
• Perda de memória ou esquecimento


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Dismenorréia

A dismenorréia é uma dor abdominal provocada pelas contrações uterinas que ocorre durante a menstruação. Este distúrbio é denominado dismenorréia primária quando nenhuma causa é encontrada e dismenorréia secundária quando a causa é um distúrbio ginecológico. A dismenorréia primária é comum, possivelmente afetando mais de 50% das mulheres. Ela é grave em aproximadamente 5 a 15%.

Geralmente, a dismenorréia começa durante a adolescência e pode ser suficientemente grave a ponto de interferir nas atividades cotidianas, acarretando absenteísmo escolar ou no trabalho. Este distúrbio tende a tornar-se menos grave com a idade e após a gravidez. A dismenorréia secundária é menos comum, afetando aproximadamente um quarto das mulheres que apresentam dismenorréia.

Acredita-se que a dor da dismenorréia primária seja conseqüência das contrações uterinas que ocorrem quando o suprimento sangüíneo do endométrio é reduzido. Ela ocorre apenas durante os ciclos menstruais nos quais um óvulo é liberado. A dor pode piorar quando o tecido endometrial que se despregou durante a menstruação atravessa o colo do útero, sobretudo quando o canal cervical é estreito, como pode ocorrer após o tratamento de distúrbios cervicais.

Outros fatores que podem piorar a dor incluem a retroversão uterina (inclinação do útero para trás, ao invés dele inclinar-se para frente), a falta de exercício e o estresse psicológico ou social. Uma das causas mais comuns de dismenorréia secundária é a endometriose. Outras causas são os fibromas e a adenomiose (invasão não cancerosa por parte do revestimento interno). A inflamação das tubas uterinas e as aderências entre órgãos podem causar uma dor abdominal leve, vaga e contínua ou uma dor mais intensa, localizada e de curta duração. Qualquer que seja o tipo da dor, ela pode piorar durante a menstruação.

Sintomas

A dismenorréia causa dor na região abdominal inferior, a qual pode estender-se até a região lombar ou para os membros inferiores. A dor pode ser do tipo cólica que vem e vai ou pode ser surda e constante. Geralmente, a dor inicia um pouco antes ou durante a menstruação, atinge um máximo após 24 horas e desaparece após 2 dias. Freqüentemente, a mulher apresenta cefaléia, náusea, constipação ou diarréia e urgência para urinar freqüentemente. Ocasionalmente, ocorre vômito. Os sintomas da síndrome pré-menstrual (irritabilidade, nervosismo, depressão e distensão abdominal) podem persistir durante parte da menstruação ou durante todo o período. Algumas vezes, coágulos ou fragmentos de tecido sanguinolento provenientes do endométrio são expelidos do útero, causando dor.

Tratamento

A dor geralmente pode ser aliviada de modo mais eficaz com a administração de antiinflamatórios não esteróides (p.ex., ibuprofeno, naproxeno e ácido mefenâmico). Esses medicamentos são eficazes quando são iniciados 2 dias antes da menstruação e mantidos por 1 ou 2 dias durante a menstruação. A náusea e o vômito podem ser aliviados com a administração de um medicamento antiemético (contra o vômito), mas esses sintomas comumente desaparecem sem tratamento quando as cólicas cessam.

O repouso adequado e exercícios regulares também ajudam a aliviar os sintomas. Quando a dor persiste e interfere na atividade normal, a ovulação pode ser suprimida com doses baixas de contraceptivos orais que contêm estrogênio e progestina ou com medroxiprogesterona (de ação mais prolongada). Quando esses tratamentos fracassam, exames adicionais podem ser necessários, como a laparoscopia (um procedimento no qual o médico utiliza um tubo de visualização de fibra óptica para examinar o interior da cavidade abdominal).

O tratamento da dismenorréia secundária depende de sua causa. Um canal cervical estreito pode ser ampliado cirurgicamente, provendo freqüentemente 3 a 6 meses de alívio. Quando o tratamento não é bem-sucedido e a dor é intensa, a secção de nervos que inervam o útero ocasionalmente é útil. As complicações incluem a lesão de outros órgãos pélvicos (p.ex., ureteres). Alernativamente, a hipnose ou a acupuntura podem ser tentadas.

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