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Seção 23 - Problemas de Saúde na Infância

Capítulo 251 - Recém Nascidos e Lactentes Normais

A transição bem-sucedida de um feto (imerso no líquido amniótico e totalmente dependente da placenta para obter nutrientes e oxigênio) até o seu nascimento, respirando e chorando vigorosamente, é algo sempre maravilhoso. Os recém-nascidos saudáveis necessitam de um bom cuidado para garantir seu desenvolvimento normal e uma boa saúde.

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Cuidados Iniciais

Imediatamente após o nascimento do concepto, o médico ou o enfermeiro retira delicadamente o muco e outros materiais de sua boca, nariz e garganta com uma sonda de aspiração. A seguir, o recém-nascido respira pela primeira vez. O cordão umbilical é pinçado (utilizando-se duas pinças, uma ao lado da outra) e é seccionado entre as pinças. O recém-nascido é secado e colocado cuidadosamente sobre um cobertor térmico estéril ou sobre o abdômen da mãe. A seguir, ele é pesado e medido. O médico o examina, verificando a presença de qualquer anomalia evidente. Um exame completo é realizado posteriormente. A condição geral é registrada 1 minuto e 5 minutos após o nascimento, utilizando-se o índice de Apgar, o qual baseia-se na cor do bebê (rósea ou azulada), na freqüência cardíaca, na respiração, na reatividade (resposta) e no tônus muscular (flácido ou ativo).

É fundamental que o recém-nascido seja mantido aquecido. Assim que possível, ele deve ser enrolado em panos leves (cueiros) e a sua cabeça é coberta, para reduzir a perda do calor corpóreo. São pingadas algumas gotas de solução de nitrato de prata ou de um antibiótico em seus olhos, para evitar uma infecção causada por qualquer microorganismo nocivo com o qual o recém-nascido pode ter tido contato durante o parto.

A mãe, o pai e o recém-nascido geralmente permanecem juntos na sala de recuperação pós parto. Após ser levado ao berçário, o recém-nascido é colocado de lado em um berço e é mantido aquecido. O decúbito lateral evita que o muco ou líquidos bloqueiem as vias respiratórias e o impeçam de respirar. Como todos os conceptos nascem com concentração baixa de vitamina K, o médico ou o enfermeiro administra uma injeção desta vitamina para evitar a ocorrência de sangramentos (doença hemorrágica do recém-nascido). Em geral, uma solução antisséptica é aplicada no cordão umbilical recém-seccionado, para ajudar a evitar a infecção.

Aproximadamente 6 horas ou mais após o nascimento, o recém-nascido é banhado. O enfermeiro tenta não retirar o material gorduroso esbranquiçado (verniz caseoso) que recobre a maior parte da pele do recém-nascido, pois ele ajuda a protegê-lo contra a infecção.

Por que um Recém-nascido Pode Ser Maior ou Menor que o Normal
Maior que o normal
• A mãe é diabética
• A mãe é obesa
• O recém-nascido apresenta anomalias cardíacas
• O recém-nascido apresenta uma tendência hereditária para o peso elevado ao nascimento (p.ex., índios Crow e Cheyenne, de Montana, EUA)
Menor que o normal
• A mãe fez uso abusivo de álcool ou de drogas durante a gravidez
• A mãe consumiu cigarros durante a gravidez
• A mãe teve uma nutrição deficiente durante a gravidez
• A mãe não recebeu cuidados pré-natais adequados
• O recém-nascido apresentou uma infecção antes de nascer
• O recém-nascido apresenta uma anomalia cromossômica

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Exames Físicos

O médico geralmente realiza um exame físico completo do recém-nascido nas primeiras 12 horas de vida. O exame começa com uma série de mensurações (p.ex., peso, comprimento, e diâmetro cefálico). O peso médio ao nascimento é de 3 quilos e o comprimento médio é de 50 centímetro. A seguir, o médico examina a pele, a cabeça e a face, o coração e os pulmões, o sistema nervoso, o abdômen e os órgãos genitais do recém-nascido.

A pele comumente é avermelhada, embora os dedos das mãos e dos pés possam apresentar uma coloração azulada em decorrência da má circulação sangüínea durante as primeiras horas.

Um parto normal com apresentação cefálica faz com que a cabeça permaneça discretamente deformada durante vários dias. Os ossos que formam o crânio sobrepõem-se, o que permite que a cabeça seja comprimida durante o parto. É comum a presença de edema e de equimoses no couro cabeludo. Quando a apresentação do concepto é pélvica (apresentação de nádegas), a cabeça geralmente não apresenta deformidade. No entanto, as nádegas, os órgãos genitais ou os pés podem apresentar edema e equimoses. Algumas vezes, o sangramento de um dos ossos do crânio e do periósteo (revestimento externo do osso) produz uma pequena protuberância na cabeça (cefaloematoma), a qual desaparece em algumas semanas.

A pressão durante o parto vaginal pode provocar contusão da face. Além disso, a compressão durante a passagem através do canal do parto pode fazer com que, inicialmente, a face pareça assimétrica. A assimetria facial algumas vezes ocorre quando um dos nervos que inervam os músculos faciais é lesado durante o parto. Ao longo de algumas semanas, ocorre uma recuperação gradual.

O médico realiza a ausculta do coração e dos pulmões com o auxílio de um estetoscópio, para detectar a presença de qualquer anomalia. A cor da pele do recém-nascido e o seu estado geral podem também indicar a existência de algum problema. A força do pulso é verificada na região inguinal (virilha).

O médico verifica a presença de qualquer anomalia dos nervos e testa os reflexos do recém- nascido. Os reflexos mais mais importantes do recém-nascido são: o reflexo de Moro e os reflexos de busca e de sucção.

Durante o exame do abdômen, o médico verifica a sua forma e também o tamanho, a forma e a posição dos órgãos internos (p.ex., rins, fígado e baço). Os rins aumentados de tamanho podem indicar uma obstrução do fluxo urinário. Ele avalia a flexibilidade e a mobilidade dos membros superiores, membros inferiores e quadris. A luxação (deslocamento) do quadril é um problema razoavelmente comum em recém-nascidos. Esta condição pode ser tratada colocando- se 2 ou 3 fraldas no recém-nascido para manter os quadris na posição correta, até o problema ser solucionado. Quando necessário, um ortopedista pode realizar uma imobilização.

O médico examina os órgãos genitais. No menino, os testículos devem encontrar-se no escroto. Embora rara e aparentemente indolor em um recém-nascido, os testículos podem estar torcidos (uma doença denominada torção testicular), o que exige uma cirurgia de emergência. Na menina, os lábios são proeminentes; a exposição aos hormônios maternos faz com que eles fiquem inchados durante as primeiras semanas.

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Primeiros Dias

Imediatamente após um nascimento normal, a equipe da sala de parto ajuda a mãe a segurar o seu filho. A amamentação geralmente pode ser iniciada neste momento caso a mãe assim o desejar. O pai é também encorajado a segurar o seu filho e a compartilhar esses momentos. Alguns especialistas acreditam que o contato físico imediato com a criança ajuda a estabelecer vínculos afetivos. Contudo, os pais podem estabelecer bons vínculos afetivos com seus filhos inclusive quando não passam as primeiras horas juntos.

Durante os primeiros dias após o nascimento, os pais aprendem a alimentar, a banhar e a vestir a criança, familiarizando-se com suas atividades e sons. Embora a mãe e a criança costumassem passar uma semana ou mais no hospital, atualmente este período foi reduzido para um ou dois dias.

O clipe plástico do cordão umbilical é removido 24 horas após o nascimento. O coto remanescente deve ser umedecido diariamente com uma solução alcoólica. Este processo acelera a secagem e reduz a possibilidade de infecção do coto.

Reflexos do Recém-nascido
Reflexo
Descrição
De Moro
Quando o recém-nascido se assusta, seus membros superiores e inferiores balançam para fora e para frente, num movimento lento, com os dedos esticados
De Busca
Quando qualquer um dos extremos da boca de recém-nascido é tocado, ele vira a cabeça para esse lado. Este reflexo permite que o recém-nascido encontre o mamilo
De sucção
Quando um objeto é colocado na boca do recém-nascido, ele começa a succionar imediatamente

A circuncisão, quando desejada, é geralmente realizada nos primeiros dias de vida. Contudo, o procedimento deve ser postergado indefinidamente quando o pênis apresenta qualquer anomalia, pois o prepúcio poderá ser necessário para qualquer reparação plástica posterior. Geralmente, a decisão de realizar a circuncisão da criança depende da crença religiosa dos pais ou de suas preferências pessoais. A principal razão médica para a circuncisão é a remoção de um prepúcio muito tenso que obstrui o fluxo urinário. Outras razões médicas (p.ex., redução do risco de câncer do pênis) são mais controversas. A circuncisão pode ser perigosa quando existem casos de distúrbios hemorrágicos na família. O procedimento deve ser adiado quando a mãe utilizou medicamentos que aumentam o risco de sangramento (p.ex., anticoagulantes ou aspirina) durante a gestação. O médico aguardará até que esses medicamentos tenham sido eliminados da circulação da criança. Além disso, é realizada a administração de vitamina K ao recém-nascido, para neutralizar a ação do anticoagulante.

A maioria dos recém-nascidos apresenta uma erupção cutânea discreta em algum momento durante a primeira semana. É comum o surgimento da erupção cutânea em áreas do corpo sujeitas ao atrito de tecidos (p.ex., membros superiores, membros inferiores e costas) e é raro que ela ocorra na face. Esta erupção tende a desaparecer espontaneamente, sem tratamento. A aplicação de loções ou pós, o uso de sabonetes perfumados e a colocação de calças plásticas sobre as fraldas podem piorá-la, especialmente no tempo quente. O ressecamento e uma certa descamação da pele freqüentemente ocorrem após alguns poucos dias, especialmente nas pregas dos punhos e dos tornozelos.

O recém-nascido pode apresentar vários nódulos duros subcutâneos (necrose adiposa subcutânea) nos locais onde a pressão dos ossos destruiu uma certa quantidade de tecido adiposo. Quando um fórceps é utilizado durante o parto, esses nódulos ocorrem mais comumente na cabeça, nas bochechas e no pescoço. Eles podem drenar através da superfície cutânea, extravasando um líquido amarelo e transparente, mas, geralmente, eles cicatrizam muito rapidamente. Os recém-nascidos normais podem apresentar uma icterícia discreta, a qual inicia após o primeiro dia. A icterícia que se manifesta antes de 24 horas de vida é particularmente preocupante.

A primeira urina produzida por um recém-nascido é concentrada e, freqüentemente, contém substâncias químicas denominadas uratos, que podem dar às fraldas uma coloração rosa. Quando o recém-nascido não urina nas primeiras 24 horas de vida, o médico tenta descobrir a razão. O retardo do início da micção é mais comum nos meninos e pode ser causado por um prepúcio tenso ou pelo edema temporário do pênis após a circuncisão.

A primeira evacuação consiste no mecônio (substância negro-esverdeada e viscosa). Todo recém-nascido deve eliminar o mecônio nas primeiras 24 horas após o nascimento. A ausência de evacuação geralmente é causada por um tampão de mecônio endurecido no interior do intestino do recém-nascido, que geralmente pode ser removido através de aplicação de um ou mais enemas suaves. Um defeito congênito pode causar uma obstrução mais grave.

Durante os primeiros dias de vida, o recém-nascido normalmente perde 5 a 10% de seu peso ao nascimento. Este peso é rapidamente recuperado à medida que ele começa a se alimentar.

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Alimentação

Um recém-nascido normal apresenta os reflexos de busca (ou reflexo fundamental) e de sucção e pode começar a alimentar-se imediatamente após o nascimento. Quando o peito da mãe não é oferecido ao recém-nascido na sala de parto, a alimentação geralmente é iniciada nas 4 horas após o nascimento.

Expulsar e regurgitar muco é muito comum no primeiro dia após o nascimento. Quando a regurgitação de muco persiste por mais tempo, o médico ou o enfermeiro pode realizar a remoção do muco restante no estômago, introduzindo delicadamente uma sonda através do nariz até o estômago e realizando uma lavagem gástrica.

O recém-nascido que é alimentado com mamadeira pode vomitar por causa de uma alergia ao leite. Uma fórmula hipoalergênica pode substituir o leite utilizado. Quando esta medida não surte efeito, o médico tenta detectar a causa do vômito. Um recém-nascido que está sendo amamentado e que continua a vomitar pode ter uma obstrução que impede que o estômago esvazie. Os recém-nascidos não são alérgicos ao leite humano.

Os recém-nascidos molham pelo menos 6 a 8 fraldas por dia. Além disso, eles evacuam diariamente durante as primeiras semanas, choram energicamente, apresentam uma pele em bom estado e um reflexo de sucção acentuado. Todos esses fatores indicam que o recém-nascido está recebendo leite ou fórmula suficiente. O ganho de peso confirma esta hipótese. Dormir durante longos períodos entre as alimentações é um sinal de que a criança está recebendo alimento suficiente, embora uma criança que é amamentada possa dormir por períodos prolongados quando não recebe uma quantidade suficiente de leite. Por essa razão, a criança que é amamentada deve ser examinada precocemente e regularmente pelo médico, para se assegurar que a alimentação está sendo adequada.

Alimentação com Mamadeira

Freqüentemente, na sua primeira refeição, o recém-nascido é alimentado com mamadeira contendo água destilada estéril, para se certificar que ele consegue sugar e deglutir e que o seu reflexo de vômito é normal. A água não prejudica um recém-nascido com problemas alimentares. Quando o recém-nascido não expele a água, uma fórmula pode ser dada na alimentação seguinte. No hospital, os recém-nascidos geralmente são alimentados a cada 4 horas por uma questão de eficácia.

Existem disponíveis fórmulas preparadas que contêm proporções adequadas de calorias e vitaminas, as quais são comercializadas em mamadeiras estéreis de 100 ml. A mãe não deve forçar a criança a tomar todo o conteúdo da mamadeira. Ao contrário, deve permitir que ela ingira a quantidade desejada. A alimentação deve ser aumentada gradualmente durante a primeira semana de vida, de 28 a 56 ml até 84 ml ou 100 ml, aproximadamente 6 vezes ao dia.

As fórmulas comerciais para lactentes são preferíveis ao leite de vaca, que não é adequado durante o primeiro ano de vida. Embora o leite de vaca seja um alimento bem balanceado para um lactente, ele não contém ferro, que é importante para a formação de eritrócitos (hemácias, glóbulos vermelhos). Suplementos polivitamínicos em gotas contendo as vitaminas A, C e D devem ser administrados diariamente aos lactentes alimentados com fórmulas ou leite materno durante o primeiro ano de vida e durante o segundo inverno nos climas frios, onde a exposição ao sol e a ativação da vitamina D pelos raios solares são limitadas. O flúor pode ser adicionado à fórmula quando não há disponibilidade de água fluoretada.

Ao lactente alimentado com mamadeira, deve-se oferecer água entre as alimentações, sobretudo quando o tempo estiver quente ou o ambiente for quente e seco. Ocasionalmente, um lactente que não está sendo adequadamente alimentado pode necessitar de alimentação parenteral (administrada através de uma veia) adicional. O médico deverá tentar descobrir o que há de anormal.

Amamentação

O leite materno é o alimento ideal para os lactentes. Além de prover os nutrientes necessários sob a forma mais facilmente digerível e absorvível, ele contém anticorpos e leucócitos (glóbulos brancos) que protegem o lactente contra infecções. O leite materno altera favoravelmente o pH das fezes e a flora intestinal, protegendo desta forma a criança contra a diarréia bacteriana. Por causa das qualidades protetoras do leite materno, as doenças infecciosas ocorrem menos freqüentemente em lactentes amamentados que naqueles alimentados com mamadeira. A amamentação oferece também vantagens para a mãe. Por exemplo, permite que ela estabeleça vínculos mais fortes com seu filho e sinta-se mais próxima dele, de uma maneira que não ocorre com a alimentação com mamadeira. Mais de 50% das mães norte-americanas amamentam seus filhos e esta porcentagem continua a aumentar.

O colostro (líquido fino e amarelo) flui do mamilo antes do leite materno ser produzido. O colostro é rico em calorias, proteínas e anticorpos. Os anticorpos contidos no colostro são particularmente importantes, pois podem ser absorvidos diretamente do estômago para o interior do organismo do lactente. Deste modo, ele fica protegido contra as doenças contra as quais a sua mãe produziu anticorpos. Os mamilos da mãe não exigem uma preparação especial antes dela começar a amamentar. A extração manual de líquido da mama antes do parto pode produzir uma mastite (infecção da mama) ou inclusive o trabalho de parto prematuro. A natureza prepara a aréola e o mamilo para a sucção através da secreção de um lubrificante para proteger a superfície. Este lubrificante não deve ser eliminado. Uma mulher que planeja amamentar o seu filho pode desejar conversar com mulheres que amamentaram com sucesso. Observar outras mulheres amamentando e formular questões também pode ser instrutivo e estimulante.

A mãe acomoda-se em uma posição relaxada e confortável, talvez quase recostada, e muda de lado para oferecer ambas as mamas. O lactente é mantido de frente para a mãe. Esta sustenta a mama (superiormente, com os dedos polegar e indicador, e, inferiormente, com os demais dedos, friccionando delicadamente o mamilo contra o lábio inferior do bebê. Isto estimula o lactente a abrir a boca (reflexo de busca) e agarrar a mama. Enquanto a mãe coloca o mamilo e a aréola no interior da boca do lactente, ela assegura-se que o mamilo se encontra centrado, o que evita que ele seja ferido. Antes de retirar o lactente do mamilo, a mãe interrompe a sucção inserindo um dedo na boca do mesmo e pressiona delicadamente o seu queixo para baixo.

Inicialmente, o lactente alimenta-se durante vários minutos em cada mama. O reflexo resultante (reflexo de descida do leite) desencadeia na mãe a lactação (produção de leite). A sucção excessiva deve ser evitada no início. Os mamilos podem ser lesados em decorrência do mau posicionamento e é mais fácil prevenir que isto ocorra do que curar posteriormente. Por outro lado, a produção do leite depende de um tempo de sucção suficiente. O tempo da amamentação é aumentado gradualmente até a produção do leite ter se estabelecido satisfatoriamente. Geralmente, aproximadamente 10 minutos na primeira mama e o tempo suficiente para satisfazer o lactente na segunda são adequados. Para o primeiro filho, a produção total de leite é geralmente estabelecida em 72 a 96 horas. Para os filhos subseqüentes, o tempo necessário é menor. Se a mãe estiver muito cansada durante a primeira noite, a alimentação das 2 horas da madrugada pode ser substituída por água. Contudo, o período entre as sessões de amamentação durante os primeiros dias não deve ser superior a 6 horas. A alimentação deve ser regida pela demanda do lactente e não pelo relógio. Similarmente, a duração de cada sessão de amamentação deve ser ajustada para satisfazer as necessidades do lactente.

A mãe deve levar o lactente ao médico, especialmente quando tratar-se do primeiro filho, 7 a 10 dias após o parto, para que ele avalie como a amamentação está indo e responda às suas questões.

O Primeiro Ano do Lactente: Desenvolvimento Físico
O peso e o comprimento de um lactente são anotados num gráfico a cada visita de rotina, para se assegurar que o seu crescimento está ocorrendo de modo regular. Os percentis são uma maneira de se comparar lactentes da mesma idade. Um lactente no percentil 10o do peso significa que 10% dos lactentes pesam menos e 90% pesam mais. Um lactente no percentil 90ºsignifica que 90% dos lactentes pesam menos e 10% pesam mais. Um lactente no percentil 50o significa que 50% dos lactentes pesam menos e 50% pesam mais. Mais importante que o ercentil em si é uma alteração importante do percentil entre as visitas de rotina.

Meninos

Meninas

As mamas tendem a aumentar de volume (engurgitação) e tornam-se desconfortáveis durante os primeiros dias de amamentação. O desconforto pode ser minimizado pela amamentação freqüente. O uso de um sutiã de amamentação confortável durante as 24 horas do dia ajuda a aliviar a dor. A extração manual do leite durante um banho quente também alivia a pressão. A mãe pode ter que extrair o leite manualmente um pouco antes da amamentação para permitir que o lactente encaixe sua boca em torno da aréola inchada. No entanto, a extração manual excessiva tende a causar um ingurgitamento contínuo e ela só deve ser realizada para aliviar o desconforto.

O mau posicionamento do lactente pode tornar os mamilos doloridos. Algumas vezes, o lactente retrai o lábio inferior e succiona, irritando o mamilo. Neste caso, a mãe pode, com o auxílio do polegar, puxar delicadamente o lábio da criança para fora. Após a amamentação, ela deve deixar que o leite seque espontaneamente nos mamilos ao invés de lavá-los ou enxugá-los. Ela pode desejar secar os mamilos com um secador de cabelos ajustado na potência baixa. Nos climas muito secos, uma pomada ou a lanolina hipoalergênica pode ser aplicada sobre os mamilos. Os sutiãs com forro plástico devem ser evitados.

Enquanto amamenta, a mãe precisa de um maior aporte nutritivo, sobretudo de cálcio. Os produtos laticínios são fontes excelentes de cálcio, mas as nozes e castanhas e os vegetais folhosos verdes podem ser utilizados como substitutos em caso de intolerância. Alternativamente, podem ser utilizados suplementos de cálcio. A suplementação vitamínica é desnecessária quando a dieta for bem balanceada, sobretudo quando ela inclui quantidades suficientes de vitaminas C, B6 e B12. No entanto, a dieta média nos Estados Unidos é pobre em vitamina B6 e as dietas vegetarianas são geralmente pobres em vitamina B12.

O momento de interromper a amamentação (desmame) depende das necessidades e desejos tanto da mãe como da criança. A amamentação durante no mínimo 6 meses é considerado o ideal.

Um desmame gradual ao longo de semanas ou meses é mais fácil que uma interrupção abrupta tanto para a mãe como para a criança. O desmame geralmente significa a introdução de alimentos sólidos, de modo que, ao invés de 8 a 10 amamentações diárias, a criança recebe alimentos sólidos até 3 vezes por dia e a quantidade das sessões de amamentação é gradualmente reduzida. Quando o lactente estiver próximo do sétimo mês de vida, uma sessão de amamentação do dia deve ser substituída por uma mamadeira, um copo de suco de frutas, leite materno extraído manualmente ou por uma fórmula comercial. Aprender a beber no copo é um importante marco do desenvolvimento e a passagem do desmame para o copo pode ser terminada em torno dos 10 meses de vida. Algumas crianças continuam a mamar uma ou duas vezes ao dia até a idade de1,5 a 2 anos. Quando uma mãe amamenta durante um período maior, a criança também deve consumir alimentos sólidos e beber em um copo.

Introdução de Alimentos Sólidos

O momento para iniciar os alimentos sólidos depende das necessidades e desejos do lactente.
Geralmente, os lactentes não necessitam de alimentos sólidos antes dos 6 meses de idade, embora eles geralmente consigam deglutir alimentos em torno do terceiro ou quarto mês. Eles conseguem deglutir alimentos sólidos mesmo com menos idade quando o alimento é colocado na parte posterior da língua, mas eles geralmente o recusam. Alguns pais tentam estimulam seus filhos a consumir uma maior quantidade de alimento sólido, de modo que eles durmam durante toda a noite. Isto pode não funcionar e forçar o lactente a alimentar-se mais cedo podendo causar distúrbios alimentares posteriormente.

Muitos lactentes consomem alimentos sólidos após a amamentação ou uma mamadeira, o que tanto satisfaz a sua necessidade de sucção como provê um alívio rápido da fome. Geralmente, os cereais são introduzidos primeiro. A seguir, são introduzidos os vegetais e as frutas de uma única classe. A alergia ou a sensibilidade a um determinado alimento é mais fácil de ser determinada quando a criança recebe o mesmo cereal, fruta ou verdura durante vários dias. O alimento deve ser oferecido em uma colher para que o lactente aprenda uma nova técnica de alimentação. Muitos alimentos comercializados para lactentes, especialmente as sobremesas e as sopas, são ricos em amido. O amido não contém vitaminas nem minerais, é rico em calorias e raramente é digerido pelos lactentes. Alguns alimentos comercializados possuem um elevado teor de sódio, mais de 200 miligramas por pote. Os alimentos com baixo valor nutritivo podem ser identificados lendo-se os rótulos. Os purês feitos em casa são mais baratos que os alimentos comercializados e provêm uma nutrição adequada.

As carnes devem ser introduzidas mais tarde, aproximadamente em torno do sétimo mês, e são preferíveis aos alimentos ricos em carboidratos, pois os lactentes necessitam de uma grande quantidade de proteínas. Entretanto, como muitos lactentes rejeitam a carne, ela deve ser introduzida com muita cautela e atenção. Muitas crianças são alérgicas ao trigo, ao ovo e ao chocolate, de modo que esses alimentos devem ser evitados até elas atingirem o primeiro ano de idade. A ingestão desses alimentos pode causar alergias posteriormente. O mel deve ser evitado durante o primeiro ano, pois ele pode conter esporos de Clostridium botulinum, que, nesta forma, é inofensivo para crianças mais velhas e para os adultos, mas pode causar botulismo em lactentes.

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Desenvolvimento Físico

O desenvolvimento físico do lactente depende da hereditariedade, da nutrição e do ambiente. Distúrbios físicos e psicológicos também podem ter influência sobre o crescimento. O crescimento ideal requer uma nutrição adequada e um bom estado de saúde.

A altura do bebê aumenta aproximadamente 30% até os 5 meses e mais de 50% até o primeiro ano de vida. O peso ao nascimento dobra em cinco meses e triplica em um ano.

A velocidade de crescimento varia de órgão para órgão. Por exemplo, o sistema reprodutivo apresenta uma breve aceleração do crescimento imediatamente após o nascimento e, em seguida, sofre alterações muito sutis até um pouco antes da puberdade. Em contraste, o cérebro cresce quase que exclusivamente durante os primeiros anos de vida. Ao nascimento, o cérebro possui a quarta parte do tamanho que ele terá na vida adulta. Em torno do primeiro ano de vida, o cérebro possui um tamanho que equivale a três quartos do cérebro de um adulto. A função renal no final do primeiro ano de vida é igual a do adulto.

Os dentes frontais inferiores aparecem entre o 8º e 9º mês de vida. Os dentes frontais superiores começam a aparecer entre o 8º e o 12º mês de vida.

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Desenvolvimento Comportamental e Intelectual

A velocidade do desenvolvimento comportamental e intelectual varia consideravelmente de uma criança a outra. Alguns lactentes desenvolvem- se mais rapidamente, embora certos padrões possam ser familiares (p.ex., andar ou falar tarde). Fatores ambientais (p.ex., falta de estímulo suficiente) retardam o desenvolvimento normal, assim como fatores físicos (p.ex., surdez). Embora o desenvolvimento da criança geralmente seja contínuo, podem ocorrer pausas temporárias em uma determinada função (p.ex., fala).

No início, um recém-nascido dorme a maior parte do tempo. O lactente é capaz de comer, de tossir (quando ocorre uma obstrução das vias respiratórias) e de responder com o choro a qualquer desconforto ou intrusão. Em torno da sexta semana, ele começa a olhar os objetos que estão localizados à sua frente e começa a sorrir quando lhe é dirigida a palavra. A cabeça ainda continua a oscilar quando ele é mantido sentado.

No terceiro mês, o lactente sorri ao ouvir o som da voz da mãe, produz sons que se assemelham ao início da fala e acompanha um objeto em movimento. A cabeça permanece estável quando ele é mantido na posição sentada. Ele segura os objetos colocados em suas mãos. No sexto mês, ele consegue sentar-se com ajuda e rolar. A maioria dos lactentes consegue ficar em pé com apoio e passar um objeto de uma mão à outra. O lactente balbucia aos brinquedos.

No nono mês, ele senta bem e rasteja ou engatinha, coloca-se em pé e fala “mamã” e ‘papá” de modo indiscrimidado. No décimo-segundo mês, o lactente geralmente consegue andar segurando a mão de uma pessoa e consegue pronunciar várias palavras.

Primeiro Ano de Vida de um Lactente: Etapas do Desenvolvimento
Idade
Etapa
Idade
Etapa
1º Mês
• Leva as mãos até os olhos e a boca
• Movimenta a cabeça de um lado para outro, quando deitado em decúbito ventral (barriga para baixo)
• Acompanha um objeto que se move num arco aproximadamente a 15 centímetros de seu rosto até a linha média (em frente)
• Responde de algum modo ao ruído (p.ex., assustando-se, chorando ou ficando quieto) • Volta-se em direção a sons e vozes familiares
• Focaliza num rosto
7
Meses
• Senta-se sem apoio
• Sustenta algum peso nos membros inferiores quando é
mantido em pé
• Passa objetos de uma mão a outra
• Procura objetos que deixou cair
• Responde ao seu nome
• Responde quando lhe é dito
“não”
• Balbucia, combinando vogais e consoantes
• Agita-se com excitação ao prever uma brincadeira
• Brinca de esconde-esconde
3 Meses
• Eleva a cabeça a 45° (podendo chegar a 90°), quando em decúbito ventral
• Abre e fecha as mãos
• Empurra com os pés para baixo quando é colocado sobre uma superfície plana
• Balança-se e procura alcançar brinquedos que se movem
• Acompanha um objeto que se move num arco acima da face, de um lado para outro
• Olha atentamente para os rostos
• Sorri ao som da voz da mãe
• Começa a emitir sons semelhantes à fala
9
Meses
• Esforça-se para pegar um brinquedo que se encontra fora de alcance
• Reclama quando um brinquedo lhe é tirado
• Arrasta-se ou engatinha apoiado sobre as mãos e os joelhos
• Realiza um impulso para cima para colocar-se em pé
• Fica em pé apoiando-se em algo ou em alguém
• Fala “mamã” ou “papá” indiscriminadamente
5 Meses
• Mantém a cabeça estável quando está posicionado na posição ereta
• Rola para um dos lados, habitualmente do decúbito ventral (barriga para baixo) para o decúbito dorsal (de costas)
• Procura pegar objetos
• Reconhece as pessoas à distância
• Presta atenção nas vozes humanas
• Sorri espontaneamente
• Grita de satisfação
12
Meses
• Passa do decúbito ventral para a posição sentada
• Caminha segurando-se nos móveis. Consegue dar um, dois passos sem apoio
• Permanece em pé por alguns instantes
• Fala “mamã” ou “papá” para a pessoa adequada
• Bebe no copo
• Bate palmas e dá adeus com a mão

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Controles Durante o Primeiro Ano

Os exames de controle têm a finalidade de detectar os distúrbios em um estágio inicial. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato podem reduzir ou prevenir distúrbios que podem interferir no desenvolvimento saudável de um lactente.

Antes do recém-nascido deixar o hospital, são coletadas amostras de sangue para a realização de vários exames laboratoriais. Por exemplo, um exame mensura a concentração do hormônio tiroideano no sangue, o qual é importante porque a concentração baixa pode causar o cretinismo, um distúrbio crônico da tireóide caracterizado pela interrupção do desenvolvimento físico e mental. Um recém-nascido com uma concentração baixa do hormônio tireoideano deve ser tratado com a terapia de reposição hormonal oral nos primeiros 7 a 10 dias de vida. Uma outra doença, a fenilcetonúria, também pode causar retardo mental quando não tratada.

Outros exames de controle são realizados. Por exemplo, os destinados a detectar doeças como a homocistinúria, a doença da urina em xarope de bordo, da galactosemia e da doença da célula falciforme. Algumas vezes, a escolha dos exames de controle baseia-se, em parte, pelas características étnicas e genéticas dos pais. Em alguns estados dos EUA, o custo e as limitações técnicas restringem os exames sistemáticos.

Durante o primeiro ano de vida, o comprimento, o peso e o diâmetro cefálico são medidos em cada consulta médica. O médico ausculta o coração do lactente com o auxílio de um estetoscópio. A presença de sons anormais pode indicar uma doença cardíaca. Em todas as visitas, o médico examina também o abdômen da criança, pois certos cânceres raros (p.ex., tumor de Wilms e neuroblastoma) podem ser detectados somente à medida que o lactente cresce. A audição e a visão são testadas. Um lactente que nasceu prematuramente (gestação inferior a 37 semanas) é examinado regularmente para se detectar a retinopatia da prematuridade, uma doença ocular.

Esquema de Imunização para Lactentes e Crianças

A imunização tem um papel importante na manutenção da saúde de lactentes e crianças. A ilustração mostra as idades comumente recomendadas para que o lactente ou a criança seja imunizado com vacinas específicas. Dependendo das circunstâncias, a idade recomendada para a vacinação pode variar. Por exemplo, quando uma mulher com antígeno de superfície da hepatite B presente em seu sangue dá a luz, o médico provavelmente recomendará a vacinação do recém-nascido contra esta doença nas 12 horas que sucedem o parto. Entretanto, outros lactentes podem receber a primeira dose da vacina contra a hepatite B no primeiro ou segundo mês de vida. Existe uma faixa etária aceitavel para muitas vacinas e o próprio médico da criança deve fornecer as recomendações específicas. Freqüentemente, são utilizadas vacinas combinadas, as quais reduzem a quantidade de injeções que serão administradas à criança.


*Uma dose de reforço contendo apenas toxóides diftérico e tetânico (sem a vacina para coqueluche) é recomendável entre os onze e os dezesseis anos, se pelo menos transcorreram cinco anos desde a última dose.

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Vacinas

As crianças devem ser imunizadas para serem protegidas contra doenças infecciosas. As vacinas são muito seguras e eficazes, embora algumas crianças apresentem ocasionalmente pequenas reações a elas. A maioria das vacinas são injetáveis, embora algumas (p.ex., a vacina contra a poliomielite) sejam administradas pela via oral.

A primeira vacina administrada a um lactente é a contra a hepatite B: a primeira dose é administrada durante a primeira semana de vida, algumas vezes quando o lactente ainda se encontra no hospital. As outras vacinas de rotina começam a ser administradas entre a sexta e a oitava semana de vida ou, quando o lactente encontra-se doente, um pouco mais tarde. Contudo, a vacinação não precisa ser retardada quando o lactente apresenta uma febre discreta em decorrência de uma infecção leve (p.ex., resfriado comum).

Muitas vacinas exigem mais de uma dose para prover uma imunidade total. A maioria dos médicos seguem o esquema de imunização recomendado pela American Academy of Pediatrics. Contudo, as idades recomendadas para as vacinações não devem ser seguidas de forma rígida. Por exemplo, 2 meses podem significar de 6 a 10 semanas. Embora os pais devam tentar vacinar seus filhos de acordo com um determinado esquema, algum atraso não interfere na imunidade final obtida e nem significa que a série de injeções deve ser reiniciada. Algumas vacinas são recomendáveis em determinadas circunstâncias. Por exemplo, a vacina contra a hepatite A pode ser recomendada para os indivíduos que entram na faculdade ou que irão viajar para outros países.

Mais de uma vacina pode ser administrada durante uma visita ao consultório médico, mas, freqüentemente, várias vacinas são combinadas em uma mesma injeção (p.ex., as vacinas contra coqueluche, difteria, tétano e Hemophilus influenzae tipo B). Uma combinação de vacinas reduz o número de injeções necessárias e não compromete a sua segurança ou eficácia.

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