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Seção 23 - Problemas de Saúde na Infância

Capítulo 259 - Infecções Bacterianas

A maioria dos episódios de doença com febre em crianças é causada por infecções virais, embora as infecções bacterianas também possam produzir febre. As infecções bacterianas podem ser graves, mas, geralmente, são tratadas imediatamente com antibióticos. Por essa razão, o diagnóstico precoce de uma infecção bacteriana é importante para assegurar um tratamento imediato.

Freqüentemente, a diferenciação entre uma infecção bacteriana e uma infecção viral é difícil. Em geral, as infecções bacterianas tendem a produzir uma febre mais alta (até 41°C) e uma contagem leucocitária mais elevada. As crianças com um risco especial de contrair infecções bacterianas são os lactentes com menos de 2 meses de idade, as crianças que não possuem baço ou que apresentam outros distúrbios do sistema imune e aquelas com anemia falciforme. Nos climas temperados, muitas infecções bacterianas e virais ocorrem nos meses de inverno, talvez favorecidas pelas condições de aglomeração em ambientes fechados, mas algumas ocorrem no verão.

Infecções Bacterianas que Podem ser Evitadas com a Vacinação Sistemática*

• Difteria
• Infecção pelo Hemophilus influenzae do tipo b (meningite, epiglotite, algumas infecções oftálmicas graves, alguns tipos de bacteremia oculta)
• Coqueluche
• Tétano
• Tuberculose
• Pneumonias


*Nota: Muitas infecções virais também podem ser evitadas com a vacinação sistemática

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Difteria

A difteria é uma infecção contagiosa, algumas vezes fatal, causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae.

Há alguns anos, a difteria era uma das principais causas de morte infantil. Atualmente, a difteria é rara nos países desenvolvidos, principalmente em decorrência dos programas de vacinação maciça contra a doença. Nos Estados Unidos, desde 1980, ocorreram menos de 5 casos por ano. No entanto, as bactérias da difteria estão presentes no mundo e podem causar epidemias se a vacinação maciça não for realizada. O surto mais importante dos últimos 50 anos ocorre na Rússia e em outros países da ex-União Soviética.

As bactérias causadoras da difteria geralmente são disseminadas através de perdigotos (gotículas de saliva) presentes no meio ambiente, expelidos através da tosse. Em raros casos, as bactérias podem disseminar-se através de objetos domésticos contaminados (p.ex., roupas ou brinquedos). Em geral, as bactérias multiplicam-se sobre a superfície ou próximo das membranas mucosas da boca ou da garganta, onde causam inflamação. Alguns tipos de Corynebacterium diphtheriae liberam uma toxina potente, a qual pode lesar o coração e o cérebro.

Sintomas

A infecção começa 1 a 4 dias após a exposição à bactéria. Os sintomas geralmente iniciam com uma dor de garganta discreta e dor à deglutição. Geralmente, a criança apresenta uma febre baixa, um aumento da freqüência cardíaca, náusea, vômito, calafrios e cefaléia (dor de cabeça). Os linfonodos do pescoço podem aumentar de volume. A criança pode apresentar coriza (freqüentemente apenas em uma narina) quando a bactéria instala-se no nariz. A inflamação pode disseminar-se da garganta para a laringe e produzir edema, estreitando as vias respiratórias e tornando a respiração extremamente difícil.

Geralmente, as bactérias formam uma pseudomembrana (uma camada de material composto por leucócitos mortos, bactérias e outras substâncias) próximo das amígdalas ou em outras partes da garganta. A pseudomembrana é resistente e de coloração acinzentada. Quando a pseudomembrana é removida à força, a membrana mucosa subjacente pode sangrar. A pseudomembrana pode estenosar a via respiratória ou descolar subitamente e obstruir totalmente a via respiratória, impedindo que a criança respire (uma situação clínica de emergência). No entanto, algumas crianças com um quadro leve de difteria não chegam a formar essa pseudomembrana.

Quando as bactérias liberam uma toxina, esta dissemina- se através da corrente sangüínea e pode lesar tecidos de todo o corpo, especialmente do coração e dos nervos. A miocardite (lesão do músculo cardíaco) geralmente é mais grave em torno do 10o ao 14o dia, mas pode ocorrer em qualquer momento entre a primeira e a sexta semana da doença. A lesão cardíaca pode ser apenas discreta, revelandose através de alterações eletrocardiográficas menores, ou muito grave, ao ponto de causar insuficiência cardíaca e morte súbita.

A toxina geralmente afeta certos nervos como, por exemplo, os da garganta, dificultando a deglutição. Esses nervos são comumente afetados durante a primeira semana de doença. Entre a terceira e a sexta semana, os nervos dos braços e das pernas podem ficar inflamados, causando enfraquecimento. O coração e os nervos recuperam-se lentamente, ao longo de muitas semanas. A difteria também pode afetar a pele (difteria cutânea). Embora seja mais comum nos trópicos, esse tipo também ocorre nos Estados Unidos, particularmente entre pessoas que vivem em más condições de higiene e em ambientes de aglomeração (por exemplo, pessoas sem-teto). Em raras circunstâncias, a difteria afeta o olho.

Diagnóstico e Tratamento

O médico suspeita de difteria quando uma criança doente apresenta irritação de garganta e uma pseudomembrana. O diagnóstico pode ser confirmado através da coleta de uma amostra da membrana da garganta com um swab (espátula com ponta de algodão), a qual é enviada para cultura.

Uma criança com sintomas de difteria deve ser internada em uma unidade de terapia intensiva. O mais breve possível, é administrada uma antitoxina (anticorpo que neutraliza a toxina diftérica circulante). No entanto, é necessário que o médico se assegure previamente que a criança não é alérgica à antitoxina. Isto é feito com soro de cavalo, mediante a realização de testes cutâneos especiais. A criança alérgica deve ser primeiramente dessensibilizada. Para isto, o médico administra uma dose muito pequena da antitoxina e, em seguida, são administradas doses progressivamente maiores.

Na unidade de terapia intensiva, os médicos e os enfermeiros cuidam para que não ocorra obstrução das vias respiratórias e para que o coração funcione satisfatoriamente. Antibióticos (p.ex., penicilina ou eritromicina) são administrados para erradicar a bactéria causadora da difteria.

A recuperação de uma difteria grave é lenta e não deve ser permitido que a criança retome suas atividades muito rapidamente. Mesmo o esforço físico normal pode lesar um coração inflamado.

Prevenção

As crianças são rotineiramente imunizadas contra a difteria. A vacina contra esta infecção é geralmente combinada a vacinas contra o tétano e contra a coqueluche (pertussis) na vacina DTP (difteria-tétano-pertussis). Quando alguém imunizado contra a difteria é exposto a uma pessoa com a infecção, uma dose de reforço provê uma maior proteção.

Qualquer pessoa exposta a uma criança com difteria deve ser examinada e um swab da garganta deve ser enviado ao laboratório para cultura do material coletado. A antibioticoterapia profilática é administrada por 7 dias e o indivíduo é controlado, observando-se a presença de evidências da doença. Qualquer pessoa que permanece em contato íntimo com uma criança infectada e que não foi vacinada contra a difteria ou não recebeu um reforço nos últimos 5 anos deve ser vacinada ou receber uma dose de reforço. As pessoas cuja cultura de material da garganta apresenta um resultado normal e que foram vacinadas recentemente contra a difteria não necessitam de tratamento e não são consideradas um risco para outras pessoas.

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Coqueluche

A coqueluche (pertussis) é uma infecção altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que produz episódios de tosse que habitualmente terminam em uma inspiração prolongada e profunda e com a produção de um som agudo (estridor, guincho).

A coqueluche, outrora muito freqüente nos Estados Unidos e ainda um problema importante no mundo todo, vem se tornando novamente mais comum nos Estados Unidos desde o finalfinal da década de 1980. Epidemias locais têm ocorrido a cada 2 a 4 anos. Um indivíduo pode apresentar coqueluche em qualquer idade, mas a metade dos casos ocorre em crianças com menos de 4 anos. Nem sempre um episódio de coqueluche confere uma imunidade total e permanente, mas um segundo episódio, quando ele ocorre, normalmente é discreto e nem sempre é diagnosticado como coqueluche.

Uma pessoa infectada dissemina os microrganismos da coqueluche no ar em perdigotos (gotículas de saliva) expelidos através da tosse. Qualquer pessoa nas proximidades pode inalálos e infectar-se. Uma pessoa com coqueluche geralmente deixa de ser infectante após a terceira semana da doença.

Estágios da Coqueluche
Primeiro Estágio (Catarral)
Segundo Estágio (Paroxístico)
Terceiro Estágio (de Convalescença)
Início
Começa gradualmente 7 a 10 dias (não mais de 3 semanas) após a exposição
Começa 10 a 14 dias após os primeiros sintomas
Começa 4 ou 6 semanas depois dos primeiros sintomas
Sintomas
Espirros, lacrimejamento e outros sintomas semelhantes ao do resfriado; inapetência, apatia; tosse seca e incômoda, inicialmente noturna e, a seguir, diurna e cada vez mais freqüente; a febre é rara
Episódios de tosse de 5 a 15 ou tosses mais rápidas e consecutivas, seguidas por uma inspiração profunda (inalação de ar rápida e profunda, a qual produz um ruído agudo, um estridor). Após algumas respirações normais, pode ocorrer um outro episódio de tosse. Uma grande quantidade de muco espesso pode ser expectorada através da tosse (o qual é geralmente deglutido por lactentes ou crianças ou que pode ser observado como grandes bolhas que saem pelas narinas), durante ou após o episódio de tosse. Um episódio prolongado de tosse ou o muco espesso podem provocar vômito. Nos lactentes, episódios de asfixia e de apnéia (paradas respiratórias transitórias), que podem fazer com que a pele se torne azulada, são mais comuns que os estridores
Os acessos de tosse tornam-se menos freqüentes e graves; o vômito diminui; a criança tem melhor aspecto e se sente melhor. Podem ocorrer acessos de tosse ocasionais durante meses, normalmente iniciados por irritação decorrente de uma infecção do trato respiratório, por exemplo um resfriado

Sintomas e Diagnóstico

Em média, os sintomas começam 7 a 10 dias após a exposição à bactéria causadora da coqueluche. As bactérias invadem o revestimento da garganta, da traquéia e das vias aéreas, aumentando a secreção de muco. A princípio, o muco é fluido, mas, a seguir, ele torna-se mais espesso e viscoso. A infecção dura aproximadamente 6 semanas, evoluindo em três estágios: estágio catarral (sintomas leves semelhantes ao de um resfriado), estágio paroxístico (episódios de tosse intensa) e estágio de convalescença (recuperação gradual).

O médico que examina uma criança no primeiro estágio (catarral) tem de saber diferenciar a coqueluche da bronquite, da gripe e de outras infecções virais e inclusive da tuberculose, uma vez que todas essas doenças produzem sintomas parecidos. O médico coleta amostras de muco do nariz e da garganta com um swab. A seguir, é realizada a cultura da amostra em laboratório. Quando a criança encontra-se no estágio inicial da doença, a cultura do material consegue identificar as bactérias responsáveis pela coqueluche em 80 a 90% dos casos. Infelizmente, a cultura dessas bactérias nas fases mais avançadas da doença é difícil, embora a tosse esteja em sua pior fase. Os resultados podem ser obtidos mais rapidamente através do exame de amostras para detectar bactérias da coqueluche utilizando corantes de anticorpos especiais, mas esta técnica é menos confiável.

Complicações

As complicações mais comuns afetam as vias respiratórias. Os lactentes apresentam um risco especial de lesão devido à falta de oxigênio após períodos de apnéia (paradas respiratórias transitórias) ou episódios de tosse. As crianças podem apresentar pneumonia, a qual pode ser fatal. Durante os episódios de tosse, o ar pode ser impulsionado dos pulmões para o interior dos tecidos que os circundam ou os pulmões podem romper e colapsar (pneumotórax). Os episódios de tosse intensa podem causar hemorragia ocular, nas membranas mucosas e, ocasionalmente, na pele ou no cérebro. Pode ocorrer a formação de uma úlcera sob a língua quando esta é comprimida contra os dentes inferiores durante os episódios de tosse. Ocasionalmente, a tosse pode causar prolapso retal (exteriorização do reto) ou uma hérnia umbilical, a qual pode ser observada como uma protuberância.

Os lactentes podem apresentar convulsões, mas elas são raras em crianças maiores. A hemorragia, o edema ou a inflamação cerebral podem causar lesão cerebral e retardo mental, paralisia ou outros distúrbios neurológicos. A otite média (infecção do ouvido) também ocorre freqüentemente em conseqüência da coqueluche.

Prognóstico e Tratamento

A grande maioria das crianças com coqueluche recupera-se completamente, embora a sua recuperação seja lenta. Aproximadamente 1 a 2% das crianças com menos de 1 ano de idade morrem. A doença pode ser grave em qualquer criança com menos de 2 anos e é problemática mas raramente grave em crianças maiores e em adultos. Contudo, são as crianças maiores e os adultos com a forma leve da doença que geralmente transmitem a coqueluche para as crianças menores.

Os lactentes gravemente doentes geralmente são internados porque eles necessitam de cuidados de enfermagem e de oxigênio. Eles podem necessitar de tratamento em uma unidade de terapia intensiva. Esses lactentes geralmente são mantidos em um quarto escuro e silencioso e são perturbados o mínimo possível. Um distúrbio pode provocar um episódio de tosse, o qual pode causar dificuldade respiratória. As crianças maiores com um quadro leve não necessitam permanecer confinadas ao leito.

Durante o tratamento, pode ser realizada a aspiração do muco da garganta. Em casos graves e quando for necessário, é realizada a colocação de uma cânula (tubo) traqueal para a liberação direta de oxigênio aos pulmões. Os medicamentos contra tosse são de valor questionável e geralmente não são prescritos.

Pode ser realizada a administração intra-venosa de líquidos para se repor os líquidos perdidos durante os episódios de vômito e porque a tosse pode impedir a alimentação da criança. A boa nutrição é importante e, para as crianças maiores, é melhor fracionar a alimentação em pequenas refeições freqüentes. O médico geralmente prescreve o antibiótico eritromicina, com o objetivo de erradicar as bactérias causadoras da coqueluche. Os antibióticos também são utilizados para combater as infecções que acompanham a coqueluche (p.ex., pneumonia e otite média).

Prevenção

As crianças são vacinadas sistematicamente contra a coqueluche. Em geral, a vacina contra coqueluche é combinada com as vacinas contra a difteria e o tétano, a vacina DTP (difteriatétano- pertussis). O antibiótico eritromicina é administrado como medida profilática às pessoas expostas à coqueluche.

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Bacteremia Oculta

A bacteremia oculta é a presença de bactérias na corrente sangüínea, embora não haja sinais de infecção em qualquer outro local do corpo e a criança não pareça particularmente doente.

A bacteremia oculta é responsável por até 4% das febres em lactentes com idade entre 1 e 24 meses. Em mais de 75% dos casos, a infecção é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Algumas vezes, a criança apresenta uma infecção leve do trato respiratório ou uma dor de garganta, mas, freqüentemente, o único sintoma presente é a febre (38,5°C ou mais). A única maneira de se estabelecer o diagnóstico é a detecção da bactéria em uma amostra de sangue. Exames inespecíficos (p.ex., contagem leucocitária) são realizados para se determinar se o risco de uma infecção bacteriana (em oposição a uma infecção viral) é tal que requer a administração de antibióticos antes que os resultados das culturas do sangue estejam disponíveis. A bacteremia oculta é tratada com antibióticos.

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Gastroenterite Infecciosa

Gastroenterite infecciosa é uma infecção do trato gastrointestinal (digestivo) que causa vômito e diarréia.

Uma grande variedade de bactérias pode causar uma gastroenterite. Algumas causam sintomas por produzirem toxinas; outras crescem na parede intestinal. Quando crescem no interior da parede, elas podem invadir a corrente sangüínea. Os vírus e os parasitas (p.ex., Giardia) também podem causar gastroenterite. Nos Estados Unidos e nos países em desenvolvimento, o rotavírus é responsável por quase metade dos casos de diarréia intensa que resultam em hospitalização. As bactérias e os parasitas são um pouco menos importantes nos Estados Unidos, ao contrário do que ocorre nos países em desenvolvimento, mas também causam surtos de intoxicação alimentar e diarréia. As conseqüências da diarréia intensa são muito diferentes nos países industrializados e nos países em desenvolvimento. Por exemplo, nos Estados Unidos, apesar dos milhões de episódios de diarréia infantil que ocorrem anualmente, são registradas apenas algumas centenas de mortes, enquanto que a doença diarréica mata anualmente mais de 3 milhões de crianças com menos de 5 anos nos países em desenvolvimento.
Sintomas e Diagnóstico


A gastroenterite normalmente produz vômito e diarréia. Para determinar a sua causa, o médico investiga se a criança foi exposta a uma fonte de infecção (p.ex., um determinado tipo de alimento, um animal ou uma pessoa doente), há quanto tempo ela apresenta sintomas, quais são os sintomas e a freqüência do vômito e da diarréia. O médico também leva em consideração a idade da criança.

Em menos de 24 horas após o início da gastroenterite, os lactentes com menos de 6 meses de idade podem apresentar desidratação,devido à perda excessiva de água e sais (eletrólitos). No entanto, qualquer criança pode apresentar desidratação em 24 horas quando o vômito e a diarréia são intensos e a ingestão de líquido é inadequada. Um lactente desidratado pode apresentar inapetência, boca seca, febre e um baixo débito urinário. Ela pode tornar-se sedenta e perder peso. A desidratação mais grave faz com que os olhos pareçam afundados e secos. Além disso, a criança apresenta um afundamento da fontanela (ponto mole localizado na parte superior da cabeça). A criança pode tornar-se sonolenta. Nos lactentes maiores e nas crianças menores com excesso de peso, os sintomas podem surgir somente quando a desidratação é crítica. Estas crianças podem apresentar uma fraqueza acentuada, pele seca e olhos fundos e secos.

Tratamento

Primeiramente, é realizada a administração de líquidos e eletrólitos (geralmente sob a forma de uma solução oral, mas através da via intravenosa quando a desidratação é grave) para repor os líquidos e eletrólitos perdidos através do vômito e da diarréia. Antibióticos somente são administrados aos lactentes maiores e às crianças saudáveis para combater determinadas bactérias e parasitas, como os que causam diarréia sanguinolenta ou cólera. Os lactentes com menos de 6 meses de idade e os com comprometimento do sistema imune são tratados com antibióticos, mesmo quando não apresentam sinais de infecção fora do intestino. Os antibióticos são inúteis quando a gastroenterite é causada por um vírus. Quando a diarréia é relacionada a uma viagem ou quando ela é grave ou persistente, os antibióticos são freqüentemente utilizados.

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Infecções Bacterianas Graves dos Olhos

As infecções bacterianas graves do olhos provocam edema e hiperemia da pálpebra (celulite periorbital), a pele que circunda o olho, e da área localizada no interior da órbita (celulite orbital).

A área em torno dos olhos pode tornar-se infectada quando uma criança sofre uma lesão, é picada por um inseto ou apresenta uma sinusite (infecção de um seio da face). Uma infecção originária de uma outra parte do corpo também pode disseminar-se até os olhos através da corrente sangüínea. As infecções oculares simples (p.ex., conjuntivite) são causadas por bactérias ou vírus. Os olhos hiperemiados (vermelhos) também podem ser sinal de uma alergia. As infecções oculares simples e os problemas oculares causados por alergias são muito mais comuns que as infecções graves do olho (p.ex., celulite periorbital e celulite orbital).

Sintomas

O primeiro sintoma de uma infecção grave do olho é geralmente a hiperemia (avermelhamento) e o edema palpebral. Em mais de 90% das crianças com uma infecção ocular, apenas um olho é afetado. A maioria das crianças apresenta febre; aproximadamente 20% apresentam coriza e outros 20% apresentam conjuntivite (infecção da esclera). Quando uma criança apresenta uma celulite orbital, o olho é empurrado para frente, paralisando os músculos oculares e impedindo a movimentação do olho. O olho dói e a visão é comprometida. Sobretudo na celulite periorbital, mas também na celulite orbital, a pálpebra pode apresentar um edema tão intenso que o oftalmologista tem de abrir o olho com um aparelho especial.

A celulite orbital pode acarretar a formação de um coágulo sangüíneo que obstrui a artéria ou a veia principal da retina. Esse obstrução provoca lesão da retina e pode produzir cegueira do olho infectado. Algumas vezes, a infecção dissemina-se da órbita para o cérebro, provocando a formação de um abcesso, ou até as meninges (membranas que revestem o cérebro, produzindo uma meningite bacteriana. Coágulos sangüíneos podem obstruir as veias que suprem o cérebro, causando cefaléia (dor de cabeça), perda de consciência e mesmo a morte. A celulite periorbital pode estar associada a uma sépsis (infecção da corrente sangüínea), mas, geralmente, ela não se dissemina até a órbita ocular ou o cérebro.

Diagnóstico e Tratamento

O médico examina o olho, buscando evidências de infecção e determinando se o olho ainda pode se mover, se ele está empurrado para frente e se houve deterioração da visão. Uma amostra de sangue pode ajudar na identificação da bactéria responsável pela infecção. A tomografia computadorizada (TC) pode ajudar a localizar a infecção e a determinar a magnitude de sua disseminação.

As crianças com infecções oculares graves são hospitalizadas e a antibioticoterapia intravenosa é imediatamente instituída. A celulite periorbital pode exigir 10 a 14 dias de antibioticoterapia (inicialmente, através da via intravenosa, podendo ser posteriormente administrada pela via oral). A celulite orbital pode exigir a drenagem cirúrgica, assim como 2 a 3 semanas de antibioticoterapia (em sua maior parte administrada pela via intravenosa). Alguns episódios de celulite periorbital leve podem responder à antibioticoterapia oral. A conjuntivite, mais comum porém menos grave, pode ser tratada com pomadas ou colírios antibióticos ou com antibióticos orais durante 7 a 10 dias, desde que a causa seja bacteriana e não viral.

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Epiglotite

A epiglotite (algumas vezes denominada supraglotite) é uma infecção grave da epiglote, a qual pode agravar rapidamente e causar obstrução respiratória e a morte.

A epiglote é a estrutura que fecha a entrada da laringe e da traquéia durante a deglutição. Uma infecção da epiglote quase sempre é causada pela bactéria Hemophilus influenzae tipo b. Muito raramente, a responsável é uma bactéria estreptococo, sobretudo em crianças maiores e em adultos. A epiglotite é mais comum em crianças com 2 a 5 anos de idade. Ela é incomum em crianças com menos de 2 anos, mas pode afetar pessoas de qualquer idade, inclusive adultos.

A infecção geralmente inicia no trato respiratório superior como uma inflamação do nariz ou da garganta. Em seguida, a infecção propagase para baixo, até a epiglote. Freqüentemente, a infecção está associada a uma bacteremia (presença de bactérias na corrente sangüínea).

Sintomas

A epiglotite pode tornar-se rapidamente fatal, pois o edema do tecido infectado pode obstruir as vias aéreas e impedir a respiração.

A infecção geralmente começa de forma súbita e evolui rapidamente. Uma criança previamente saudável apresenta uma dor de garganta, rouquidão e, freqüentemente, uma febre alta. A dificuldade de deglutição e a dificuldade respiratória são comuns. A criança geralmente baba, respira rapidamente e apresenta sibilos ao inspirar. A dificuldade respiratória freqüentemente induz a criança a inclinar-se para frente, ao mesmo tempo em que ela estende o pescoço para trás, em uma tentativa de aumentar a quantidade de ar que atinge os pulmões. A respiração trabalhosa pode acarretar um acúmulo de dióxido de carbono e uma baixa concentração de oxigênio na corrente sangüínea. A epiglote edemaciada torna difícil a expectoração do muco. Todos esses fatores podem levar à morte em poucas horas. A pneumonia pode acompanhar a epiglotite. Algumas vezes, a infecção dissemina-se também para as articulações, as meninges (membranas que revestem o cérebro), o pericárdio (saco que envolve o coração) ou o tecido subcutâneo.

Diagnóstico e Tratamento

A epiglotite é uma emergência médica e uma criança suspeita de apresentá-la deve ser imediatamente hospitalizada. O diagnóstico é estabelecido através do exame da epiglote com o auxílio de um laringoscópio. Contudo, este exame pode acarretar obstrução das vias aéreas e causar morte súbita. Por essa razão, este procedimento é geralmente realizado por especialistas, de preferência em um centro cirúrgico e com a criança submetida a uma anestesia geral. No caso de obstrução, o médico reabre imediatamente a via aérea, seja através da passagem de um tubo rígido (tubo endotraqueal) na via aérea, seja através de uma traqueostomia (criação de uma abertura na parte anterior do pescoço).

O médico coleta amostras de sangue e das secreções do trato respiratório superior para cultura. No entanto, o tratamento com antibióticos é iniciado antes dos resultados das culturas estarem disponíveis.

Prevenção

Existe disponível uma vacina contra o Hemophilus influenzae tipo b. Por essa razão, a epiglotite atualmente pode ser prevenida através da vacinação infantil. Nos Estados Unidos, a epiglotite felizmente vem se tornando uma doença rara em decorrência da vacinação sistemática. A primeira dose de uma série da vacina contra o Hemophilus influenzae tipo b é geralmente administrada aos 2 meses de idade.

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Abcesso Retrofaríngeo

O abcesso retrofaríngeo é uma infecção dos linfonodos localizados na parte posterior da garganta.

Como os linfonodos localizados na posterior da garganta desaparecem após a infância, é incomum a formação de um abcesso retrofaríngeo em adultos, embora outros abcessos localizados no pescoço e na garganta ocorram nos adultos. Um abcesso comumente é causado por uma infecção estreptocócica que se disseminou das amígdalas, da garganta, dos seios da face, dos adenóides, do nariz ou do ouvido médio. Ocasionalmente, uma lesão da parte posterior do pescoço produzida por um objeto pontiagudo (p.ex., uma espinha de peixe) produz um abcesso retrofaríngeo. Em raros casos, a tuberculose também pode causar um abcesso retrofaríngeo.

Sintomas e Diagnóstico

Os principais sintomas de um abcesso retrofaríngeo são a dor à deglutição, a febre e o aumento dos linfonodos do pescoço. O abcesso pode causar uma obstrução das vias aéreas, acarretando dificuldade respiratória. A criança tende inclinar a cabeça e o pescoço para trás e a elevar o queixo para facilitar a respiração.

As complicações incluem o sangramento em torno do abcesso, a ruptura do abcesso para o interior das vias respiratórias (podendo causar obstrução) e a pneumonia. Pode ocorrer espasmo da laringe, comprometendo ainda mais a respiração. Pode ocorrer a formação de coágulos sangüíneos nas veias jugulares do pescoço. A infecção pode disseminar-se para o interior da cavidade torácica.

Após observar os sintomas de um abcesso retrofaríngeo, o médico solicita radiografias e uma tomografia computadorizada (TC) para confirmar o diagnóstico.

Tratamento

A maioria dos abcessos devem ser drenados cirurgicamente, através da abertura do abcesso e permitindo-se a drenagem do pus. A penicilina, a clindamicina ou outros antibióticos são administrados, inicialmente pela via intravenosa e, a seguir, pela via oral.

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