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Seção 23 - Problemas de Saúde na Infância

Capítulo 273 - Distúrbios da Saúde Mental

Um grande número de distúrbios mentais podem ocorrer na infância. Entre eles encontramse o autismo, os distúrbio desagregadores infantis, a esquizofrenia infantil, a depressão, a mania e a doença maníaco-depressiva, o comportamento suicida, os distúrbios de conduta, os distúrbio da ansiedade da separação e os distúrbios somatiformes. Além disso, o distúrbio da identidade sexual torna-se evidente pela primeira vez durante a infância . Os distúrbios de abuso de substâncias tóxicas vêm se tornando mais prevalentes entre as crianças e os adolescentes. Outros importantes distúrbios mentais infantis são a falta de atenção, o distúrbio obsessivo-compulsivo e a síndrome de Tourette. Como os distúrbios mentais em crianças e adolescentes tendem a ser crônicos, muitas famílias são beneficiadas com a terapia familiar e o contato com grupos de apoio.

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Autismo

O autismo é um distúrbio em que uma criança pequena não consegue estabelecer relações sociais normais, comporta-se de modo compulsivo e ritualístico e, geralmente, não desenvolve uma inteligência normal.

Geralmente, os sinais de autismo surgem no primeiro ano de vida e sempre antes dos 3 anos. O distúrbio é 2 a 4 vezes mais comum em meninos que em meninas. O autismo é diferente do retardo mental ou da lesão cerebral, embora algumas crianças com autismo também apresentem esses distúrbios.

Causas

A causa do autismo é desconhecida. No entanto, ele não é causado pela má criação por parte dos pais. Estudos de gêmeos idênticos indicam que o distúrbio pode ser parcialmente genético, pois ele tende a ocorrer em ambos quando ocorre em um deles. Embora a maioria dos casos não tenha uma causa evidente, alguns podem ser relacionados a uma infecção viral (p.ex., rubéola congênita ou doença de inclusão citomegálica), à fenilcetonúria (uma deficiência hereditária de determinada enzima) ou à síndrome do X frágil (um distúrbio cromossômico).

Sintomas e Diagnóstico

A criança autista prefere ficar sozinha, não estabelece relações pessoais íntimas, não faz carinhos ou afagos, evita o contato visual, resiste a mudanças, torna-se excessivamente ligada a objetos familiares e repete continuamente certos atos e rituais. Ela pode começar a falar mais tarde que as outras crianças, pode utilizar a linguagem de forma peculiar ou pode ser incapaz de falar ou pode não desejar fazê-lo. Quando a palavra é dirigida a uma criança autista, esta geralmente demonstra dificuldade para compreender o que lhe está sendo dito. Ela pode apresentar ecolalia (repete as palavras à medida que elas são pronunciadas) e inverte o uso normal de pronomes, particularmente usando você no lugar de eu ou mim ao referir-se a si mesma.

Os sintomas de autismo em uma criança pequena permitem ao médico diagnosticar a doença. O diagnóstico é estabelecido através da observação atenta. Embora não existam exames específicos para o autismo, o médico pode realizar alguns para investigar outras causas de um distúrbio cerebral.

A maioria das crianças autistas apresentam um desempenho intelectual irregular e, por essa razão, a avaliação de sua inteligência é difícil. Os testes devem ser repetidos várias vezes. Geralmente, as crianças autistas apresentam um melhor resultado nos itens de desempenho (testes de motricidade e de localização espacial) que nos itens verbais nos testes padrões do quociente de inteligência (QI). Estima-se que aproximadamente 70% das crianças com autismo apresentam um certo grau de retardo mental (QI inferior a 70).

Cerca de 20 a 40% das crianças autistas, particularmente as com um QI inferior a 50, apresentam convulsões antes de atingir a adolescência. Algumas crianças autistas apresentam ventrículos (áreas vazias) cerebrais dilatados, os quais podem ser observados em uma tomografia computadorizada (TC). Nos adultos autistas, a ressonância magnética (RM) também pode revelar outras anomalias cerebrais.

Uma variante do autismo, algumas vezes denominada distúrbio desenvolvimental difuso iniciado na infância ou autismo atípico, pode começar mais tarde, até os 12 anos de idade. Do mesmo modo que o autismo que inicia na infância, a criança com distúrbio desenvolvimental difuso iniciado na infância não estabelece relações sociais normais e, freqüentemente, apresenta maneirismos estranhos e padrões de fala incomuns. Essas crianças também podem apresentar a síndrome de Tourette, um distúrbio obsessivo-compulsivo, ou hiperatividade. Por essa razão, o médico pode ter dificuldade para diferenciar os sintomas de um distúrbio dos de um outro.

Prognóstico e Tratamento

Os sintomas do autismo geralmente persistem durante toda a vida. Muitos especialistas acreditam que o prognóstico é fortemente determinado pelo grau de linguagem utilizável adquirido pela criança até os 7 anos de idade. As crianças autistas com inteligência subnormal (p.ex., aquelas com uma pontuação inferior a 50 nos testes padrões de QI) podem necessitar de cuidado institucional integral quando atingem a idade adulta.

As crianças autistas na faixa próxima da normal ou acima da mesma nos testes de QI freqüentemente beneficiam-se com a psicoterapia e a educação especial. A fonoterapia (terapia da fala) é iniciada precocemente, assim como a fisioterapia e a terapia ocupacional. Algumas vezes, a linguagem de sinais é utilizada na comunicação com crianças mudas, embora os seus benefícios não sejam conhecidos. A terapia comportamental pode ajudar as crianças com autismo grave a aprender como se comportar em casa e na escola. Esta terapia é útil quando uma criança autista esgota a paciência mesmo dos pais mais amorosos e dos professores mais devotados.

Algumas vezes, os medicamentos são úteis, embora eles não consigam alterar o distúrbio subjacente. O aloperidol é utilizado principalmente para controlar o comportamento agressivo e autodestrutivo. A fenfluramina, a buspirona, a risperidona e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, paroxetina e sertralina) são utilizados para tratar vários sintomas e comportamentos de crianças autistas.

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Distúrbio Desagregador Infantil

No distúrbio desagregador infantil, uma criança aparentemente normal começa a agir como uma criança menor (regressão) após os 3 anos de idade.

Na maioria das crianças, o desenvolvimento físico e psicológico ocorre de modo irregular. Algumas vezes, uma criança normal parece retroceder. Por exemplo, uma criança que já sabe utilizar o vaso sanitário ocasionalmente urina na roupa acidentalmente. No entanto, o distúrbio desagregador infantil é um distúrbio grave e pode ser o responsável pela interrupção do desenvolvimento normal ou pela regressão de uma criança com mais de 3 anos de idade. Geralmente, nenhuma causa pode ser detectada, embora, algumas vezes, a criança apresente um distúrbio cerebral degenerativo.

Sintomas e Diagnóstico

A típica criança com distúrbio desagregador infantil desenvolve-se normalmente até os 3 ou 4 anos de idade, aprendendo a falar e a usar o vaso sanitário e com um comportamento social adequado. Após um período de doença vaga e de alteração do humor (no qual a criança tornase irritadiça e doentia), a criança sofre uma regressão perceptível. Ela pode perder a linguagem e as habilidades motoras ou sociais previamente adquiridas e o controle vesical (da bexiga) ou intestinal. A criança deteriora gradualmente até um grave grau de retardo . O médico estabelece o diagnóstico baseando-se nos sintomas e investiga a existência de um distúrbio subjacente.

Prognóstico e Tratamento

O prognóstico é ruim e a criança com retardo grave necessitará de cuidados durante toda a vida. No entanto, o tempo de vida da criança pode ser normal quando ela não apresenta um distúrbio subjacente. O distúrbio desagregador infantil não tem tratamento nem cura.

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Esquizofrenia Infantil

A esquizofrenia infantil é um distúrbio que engloba comportamento e pensamento anormais. Ela começa entre os 7 anos de idade e o início da adolescência.

A causa da esquizofrenia infantil é desconhecida. Continuam as especulações sobre quais são as anomalias químicas cerebrais comprometidas e sobre o papel da hereditariedade na esquizofrenia infantil. Também não se sabe porque as crianças apresentam esquizofrenia em uma idade tão precoce quando a maioria somente apresenta sintomas no final da adolescência. O que se sabe é que a esquizofrenia não é causada pela má criação por parte dos pais.

Sintomas e Diagnóstico

A esquizofrenia infantil comumente manifesta- se após os 7 anos de idade. A criança torna-se retraída, perde o interesse pelas atividades habituais e passa a apresentar distorções do pensamento e da percepção. A esquizofrenia infantil é similar à esquizofrenia que começa no final da adolescência ou no início da vida adulta. Como ocorre com os adultos, a criança com esquizofrenia pode ter alucinações, delírios e paranóia, temendo que as outras pessoas estejam maquinando para lhe causar danos ou que estejam controlando seus pensamentos. A criança esquizofrênica também podem apresentar contenção das emoções, nem a sua voz nem suas expressões faciais alteram-se em resposta a situações emocionais. Eventos que normalmente provocam o riso ou o choro podem não produzir qualquer resposta.

O médico baseia seu diagnóstico nos sintomas. Não existem exames diagnósticos, mas o médico busca evidências de uso abusivo de drogas, de exposição a substâncias tóxicas e de lesão cerebral.

Sintomas da Esquizofrenia Infantil

Bloqueio do pensamento: Bloqueio súbito da linha de pensamento

Perseverança
: Repetição da mesma resposta a diferentes questões

Idéias de referência: Convicção de que as palavras ou ações de outros referem-se a ela

Alucinações: Percepção (visão, som, sabor) de coisas que não estão presentes

Delírios:
Manutenção de falsas crenças apesar de evidências óbvias do contrário

Emoções contidas: Estado de humor inalterado; nem a voz nem as expressões faciais mudam em resposta a situações emocionais

Paranóia:
Estado mental no qual a pessoa tem a sensação errônea de estar sendo perseguida

Controle do pensamento:
Convicção de que outras pessoas ou poderes estão controlando os seus pensamentos

Tratamento

A esquizofrenia não tem cura, embora alguns sintomas possam ser controlados com medicamentos e psicoterapia. Os medicamentos antipsicóticos podem ajudar a corrigir algumas anomalias químicas cerebrais. O tiotixeno e o aloperidol são muito utilizados, embora medicamentos mais modernos (p.ex., risperidona) possar produzir melhorias mais evidentes. Contudo, as crianças são particularmente suscetíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos antipsicóticos (p.ex., tremores, lentidão de movimentos e espasmos musculares) e, por essa razão, eles devem ser utilizados com muita cautela.

Quando os sintomas pioram, a criança esquizofrênica pode ter que ser internada temporariamente para se ajustar as doses dos medicamentos e evitar que ela se machuque ou machuque outras pessoas. Algumas crianças devem permanecer internadas.

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Depressão

A depressão é uma sensação de tristeza intensa. Ela pode ocorrer após uma perda recente ou um outro evento triste, mas a reação é desproporcional ao evento e dura mais que o esperado.

A depressão grave é relativamente rara entre as crianças, mas é comum em adolescentes. Não obstante, um certo grau de depressão pode ser problemático em crianças em idade escolar.

A depressão em crianças e adolescentes pode ser desencadeada por eventos ou problemas como os seguintes:
• Morte de um familiar
• Mudança de um amigo
• Dificuldade de adaptação escolar
• Dificuldade para fazer amigos
• Uso abusivo de drogas ou álcool

Contudo, algumas crianças tornam-se deprimidas mesmo sem passar por experiências muito tristes. Freqüentemente, familiares dessas crianças também já sofreram de depressão e vários estudos constataram que ela tende a ocorrer em vários membros de uma família.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da depressão infantil estão relacionados ao sentimento de uma tristeza profunda e de inutilidade. Como os adultos, as crianças deprimidas podem ter pensamentos suicidas. Habitualmente, o médico pode diagnosticar a depressão pelos sintomas. Algumas vezes, no entanto, a depressão é mascarada por sintomas aparentemente contraditórios (p.ex., hiperatividade e um comportamento antisocial e agressivo).

Sintomas de Depressão

• Expressão triste
• Apatia
• O indivíduo afasta-se dos amigos e de situações sociais
• Reduzida capacidade de sentir prazer
• Sentimento de rejeição e de não ser amado
• Problemas de sono
• Cefaléia
• Dor abdominal
• Episódios em que se faz de palhaço ou em que se comporta como um tolo
• Sensação de culpa persistente
• Inapetência
• Perda de peso
• Desânimo
• Idéias suicidas

Tratamento

O médico tenta descobrir se a depressão foi desencadeada por tensões familiares ou sociais e determina se o responsável pela mesma é algum distúrbio físico.

Um medicamento antidepressivo que pode ser prescrito por um médico, atua corrigindo desequilíbrios químicos do cérebro. Contudo, foram realizados poucos estudos documentando a eficácia dos medicamentos antidepressivos em crianças. Os medicamentos mais freqüentemente prescritos são os inibidores seletivos da reabsorção de serotonina (p.ex., fluoxetina, sertralina e paroxetina). Um outro grupo de antidepressivos, os antidepressivos tricíclicos (p.ex., imipramina) produzem efeitos adversos importantes e, por essa razão, devem ser utilizados com extrema cautela em crianças. Para estabelecer a dose ideal de um medicamento antidepressivo, o médico observa qualquer melhoria da saúde mental da criança e a ocorrência de qualquer sinal de efeitos adversos.

O tratamento da depressão em crianças e adolescentes exige mais que o tratamento medicamentoso. A psicoterapia individual, a terapia de grupo e a terapia familiar podem ser muito benéficas. Os membros da família e a equipe escolar são solicitados a reduzir a tensão sobre a criança e a realizar esforços para melhorar a sua auto-estima. Em uma crise, uma hospitalização breve pode ser necessária para prevenir uma tentativa de suicídio.

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Mania e Doença Maníaco-Depressiva

A mania é um distúrbio do humor no qual a criança torna-se perceptivelmente exaltada, excitada e ativa e pensa e fala muito rapidamente. Uma forma menos intensa da mania é denominada hipomania. Na doença maníaco-depressiva, períodos de mania ou de hipomania alternam-se com períodos de depressão.

A mania e a hipomania são raras em crianças. A doença maníaco-depressiva é muito rara antes da puberdade e não descrita na primeira infância. Algumas crianças apresentam alterações significativas do humor, mas, geralmente, essas alterações não são indicativas da doença maníaco-depressiva. Os sintomas e o diagnóstico de doença maníaco- depressiva em crianças e adolescentes são similares aos dos adultos. Contudo, o tratamento é complexo e geralmente consiste em uma combinação de medicamentos estabilizadores do humor (p.ex., lítio, carbamazepina e ácido valpróico). As crianças e os adolescentes com doença maníaco-depressiva devem ser tratados por um psiquiatra especializado em atendimento infantil.

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Comportamento Suicida

Alterações comportamentais que indicam uma possibilidade de suicídio

  • Desânimo
  • Baixa auto-estima
  • Distúrbios do sono e do apetite
  • Incapacidade de concentração
  • Falta às aulas sem permissão
  • Sintomas físicos (p.ex., cefaléia)
  • Preocupação relacionada ao suicídio e à morte

O comportamento suicida compreende os gestos suicidas (ações suicidas sem intenção de serem fatais), as tentativas de suicídio (ações que pretendem ser fatais, mas não são bem sucedidas) e o suicídio consumado (ato que resulta na eliminação da própria vida).

O comportamento suicida é comum entre as crianças maiores, sobretudo entre os adolescentes. As porcentagens de suicídio infantil, especialmente entre meninos e especialmente entre os adolescentes com 15 a 19 anos, aumentaram 50% entre 1970 e 1990. O suicídio é a segunda causa principal, após os acidentes, de morte de adolescentes. Aproximadamente 14 em cada 100.000 adolescentes tentam o suicídio e a incidência da tentativa de suicídio entre os meninos é 4 vezes maior que entre as meninas. Além disso, muitas mortes atribuídas a acidentes (p.ex., desastres automobilísticos e acidentes com armas de fogo) são na realidade suicídios.

Causas

Uma tentativa de suicídio é um sinal nítido de doença mental, habitualmente de depressão. O comportamento suicida freqüentemente é desencadeado por uma perda. Exemplos de perda incluem o final de um namoro, a perda do ambiente familiar (escola, vizinhança, amigos) devido a uma mudança geográfica e a perda da auto-estima após uma discussão ou briga familiar. A angústia decorrente de uma gravidez não planejada pode contribuir para um comportamento suicida. Outro fator pode ser a insuportável falta de orientação, estrutura e limites estabelecidos pelos pais ou por outras figuras autoritárias. Algumas famílias pressionam excessivamente a criança para que ela tenha sucesso. A crença de estar aquém das expectativas pode levar a criança a tentar o suicídio. Um episódio disciplinar humilhante também pode levar a uma tentativa de suicídio. Um motivo comum é o desejo de manipular ou punir outras pessoas com a fantasia de que “vocês lamentarão após a minha morte”.

Algumas vezes, o suicído pode ser decorrente de uma tentativa da criança de imitar as ações de outros. Por exemplo, um suicídio muito comentado na mídia, como o de uma celebridade, freqüentemente é seguido por outros suicídios. Da mesma forma, vários suicídios de pessoas jovens podem ocorrer em um curto período de tempo em um dormitório de um colégio ou de uma faculdade.

Prevenção

Os pais, os médicos, os professores e os amigos podem ter condições para identificar crianças ou adolescentes que podem tentar o suicídio. Eles podem observar alterações recentes do comportamento. Qualquer gesto suicida deve ser levado a sério. Declarações como “gostaria de nunca ter nascido” ou “gostaria de dormir e nunca mais acordar” podem indicar uma possível intenção de cometer suicídio. Uma criança apresenta um maior risco de suicídio quando um familiar, um amigo íntimo ou um colega cometeu suicídio, quando houve uma morte recente na família ou quando ela apresenta problema de uso de drogas ou distúrbio comportamental.

Perguntar diretamente à criança sobre suas idéias e planos suicidas reduz, ao invés de aumentar, o risco de tentativa de suicídio. Os programas comunitários de apoio aos jovens com idéias suicidas podem ser úteis. Em muitas cidades, existem serviços telefônicos que oferecem ajuda 24 horas por dia.

Tratamento

Qualquer tentativa de suicídio representa uma emergência médica. Uma vez superada a ameaça imediata à vida, o médico decide se irá internar a criança. A decisão depende do grau de risco da permanência da criança em casa e da capacidade da família de prover ajuda. A gravidade da tentativa de suicídio pode ser avaliada por diversos fatores como, por exemplo, se ela foi cuidadosamente planejada ou se ela foi espontânea, qual o método utilizado (uma arma de fogo indica uma intenção mais séria que uma dose excessiva de algum medicamento) e se chegou a ocorrer alguma lesão.

Um desfecho mais favorável é mais provável quando a família demonstra amor e preocupação. Uma resposta negativa ou de não apoio por parte dos pais tende a piorar a situação. Em alguns casos, a hospitalização representa a melhor proteção. A hospitalização é recomendável especialmente quando a criança apresenta uma depressão grave ou um outro distúrbio mental (p.ex., esquizofrenia). Um psiquiatra e o médico da família geralmente trabalham em conjunto para prover o tratamento adequado à criança. A recuperação inclui o restabelecimento da moral e da tranqüilidade emocional no seio da família.

Efeitos do Estresse Extremo nas Crianças

As crianças e os adolescentes sofrem de estresse da mesma forma que os adultos. Uma criança que esteja passando por uma situação de estresse extremo pode apresentar sintomas de depressão, de ansiedade ou um comportamento suicida. O distúrbio de adaptação e o distúrbio por estresse pós-traumático são duas outras maneiras com que o estresse extremo pode manifestar-se nas crianças.

Uma alteração estressante na vida de uma criança (p.ex., uma mudança geográfica, o divórcio dos pais ou a morte de um membro da família ou de um animal de estimação) pode desencadear o distúrbio de adaptação. O distúrbio de adaptação é uma resposta aguda ao estresse ambiental. A criança pode apresentar sintomas de ansiedade (p.ex., nervosismo, preocupações e medos), sintomas de depressão (p.ex., choro ou sentimentos de desespero) ou distúrbios comportamentais. Os sintomas e problemas desaparecem quando o estresse diminui.

O distúrbio por estresse pós-traumático pode ocorrer após um desastre natural (p.ex., furacão, tufão ou terremoto), após um acidente ou após um ato violento sem sentido. Comumente, a criança fracassa em suas tentativas de evitar a recordação do evento e apresenta um estado persistente de ansiedade, com sintomas e comportamento extremos até mesmo bizarros. A intervenção na crise é usualmente necessária. Apesar mesmo das demonstrações de empatia e de ajuda, pode ser necessário um longo período de terapia individual, de grupo ou familiar para aliviar a ansiedade e angústia da criança.

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Distúrbio da Conduta

O distúrbio da conduta caracteriza-se por um comportamento repetidamente destrutivo.

Vários tipos de distúrbio da conduta já foram identificados. As crianças e os adolescentes com um distúrbio da conduta agressivo solitário são egoístas, não se relacionam bem com as outras pessoas e não têm sentimento de culpa. As crianças e os adolescentes com um distúrbio da conduta grupal são leais aos seus pares (p.ex., uma gangue), freqüentemente às custas de terceiros. Algumas crianças e adolescentes apresentam sinais tanto de um distúrbio da conduta agressivo solitário quanto de um distúrbio da conduta grupal. Aqueles com um distúrbio desafiante de oposição apresentam uma conduta negativa, desafiadora e raivosa, mas sem realmente violar os direitos dos outros. Essas crianças e adolescentes conhecem a diferença entre o certo e o errado, sentindo-se culpadas quando fazem algo muito errado. Embora não seja no início um distúrbio da conduta, o distúrbio desafiante de oposição freqüentemente evolui para um distúrbio da conduta discreto.

Tratamento

A psicoterapia pode ajudar a melhorar a autoestima e o controle da criança ou do adolescente, o que por sua vez melhora o seu comportamento. Dar lições de moral e ameaçar não funciona. Freqüentemente, o tratamento mais eficaz consiste em separar a criança do ambiente nocivo e submetê-la a uma disciplina rígida.

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Distúrbio da Ansiedade da Separação

O distúrbio da ansiedade da separação caracteriza- se por uma ansiedade excessiva ao estar longe de casa ou separado de pessoas às quais a criança está ligada.

Um certo grau de ansiedade devido a uma separação é normal e é observado em quase todas as crianças, especialmente em lactentes e crianças com 1 a 3 anos. Em contraste, o distúrbio da ansiedade da separação é a ansiedade excessiva que vai além do esperado para o grau de desenvolvimento da criança. Geralmente, o que desencadeia o distúrbio é alguma tensão na vida da criança (p.ex., morte de um parente, amigo ou animal de estimação, uma mudança geográfica ou a mudança de escola).

Sintomas

O distúrbio da ansiedade da separação dura pelo menos um mês e causa uma angústia importante ou um certo grau de comprometimento no desempenho da criança. A duração do distúrbio reflete a sua gravidade. As crianças com este distúrbio sentem uma grande angústia ao serem separadas de casa ou de pessoas às quais estão ligadas. Freqüentemente, essas crianças precisam saber onde essas pessoas se encontram, ficando preocupadas, com medo de que alguma coisa terrível irá lhes acontecer. Elas não se sentem confortáveis ao viajar sem companhia e podem recusar- se a freqüentar a escola, a ir a um acampamento de férias ou a visitar ou dormir na casa de amigos. Algumas crianças são incapazes de permanecer sozinhas no quarto, agarrando-se no pai ou na mãe ou seguindo-os por toda a casa.

Freqüentemente, apresentam dificuldades na hora de dormir. Uma criança com distúrbio da ansiedade da separação pode insistir para que alguém permaneça no quarto até ela adormecer. Os pesadelos podem desvendar os medos da criança (p.ex., destruição da família em um incêndio ou em decorrência de uma catástrofe).

Tratamento

Como a criança com este distúrbio freqüentemente evita a escola, um objetivo imediato do tratamento é capacitar a criança a retomar suas atividades escolares. Muitas vezes, uma terapia de apoio é suficiente, sobretudo quando ela é facilitada pelos pais e professores. Nos casos mais graves, o tratamento com medicamentos ansiolíticos (contra a ansiedade) e antidepressivos pode ser eficaz. Uma pequena porcentagem dessas crianças apresenta sintomas graves que exigem a sua hospitalização.

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Distúrbio da Ansiedade da Separação

Os distúrbios somatiformes consistem em um grupo de distúrbios nos quais um problema psicológico subjacente causa sintomas físicos angustiantes ou incapacitantes.

Uma criança com um distúrbio somatiforme pode apresentar vários sintomas sem qualquer evidência de uma causa física (p.ex., dor, dificuldade respiratória e fraqueza). Freqüentemente, a criança apresenta sintomas de uma doença que ela observou em membros da família. Em geral, ela não tem consciência de que existe uma conexão entre os sintomas e o problema psicológico subjacente.

Os principais tipos de distúrbios somatiformes são o distúrbio de conversão, o distúrbio de somatização e a hipocondria. No distúrbio de conversão, a criança converte o problema psicológico em um sintoma físico. Por exemplo, pode parecer que criança apresenta paralisia de um membro superior ou inferior, ela pode apresentar surdez ou cegueira ou convulsões simuladas. O distúrbio de somatização é semelhante ao distúrbio de conversão, mas a criança passa a apresentar muitos sintomas que são mais vagos. Na hipocondria, a criança mostra obsessão pelas funções orgânicas (p.ex., batimentos cardíacos, digestão e sudorese) e está convencida de que tem uma doença grave quando na verdade não apresenta qualquer anormalidade. Esses três tipos de distúrbios somatiformes também ocorrem nos adultos.

O distúrbio de conversão e a hipocondria são igualmente comuns em crianças pequenas de ambos os sexos, mas são mais comuns em adolescentes do sexo feminino que em adolescentes do sexo masculino. O distúrbio de somatização ocorre quase que exclusivamente em meninas.

Diagnóstico

Antes de definir que uma criança apresenta um distúrbio somatiforme, o médico assegura-se de que ela não tem doença física que justifique os sintomas. No entanto, é evitada a realização de exames laboratoriais exaustivos porque podem reforçar na criança a idéia da existência de um problema físico. Quando uma doença física não é detectada, o médico deve conversar com a criança e familiares para tentar identificar problemas psicológicos ou relações familiares anormais que estejam por trás da queixa clínica.

Tratamento

A criança pode recusar a idéia de consultar um psicoterapeuta, pois o tratamento ameaça desvendar conflitos psicológicos ocultos. No entanto, as visitas relativamente breves a um terapeuta que lhe dêem confiança e abordem áreas não médicas podem desfazer gradualmente o padrão de comportamento da criança. As atitudes de confiança e a ajuda dos membros da família ajudam a minimizar os sintomas físicos, os quais são a forma utilizada pela criança para receber atenção médica e cuidados em geral de modo contínuo. Quando essas medidas fracassam, o médico provavelmente deverá encaminhar a criança a um psiquiatra infantil.

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